A defesa da soberania passou a ocupar posição central no discurso de Lula após o governo de Donald Trump impor tarifas adicionais a produtos brasileiros. O tema também antecede a viagem do presidente à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), prevista para daqui a duas semanas, ocasião em que existe a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump.
Governo também destaca combate ao feminicídio
Além da soberania, o desfile de cerca de duas horas terá como um dos principais focos o combate à violência contra as mulheres. A cerimônia contará com mensagens contra o feminicídio e referências à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
Está prevista uma ala dedicada ao torneio, além da participação de atletas de diferentes modalidades e de atletas militares. A vacinação também integrará os temas apresentados durante o evento.
A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanhou os preparativos para evitar que elementos da cerimônia possam motivar questionamentos da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta propaganda eleitoral.
Todos os ministros do governo foram convidados para o palanque de autoridades. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve participar do desfile. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não confirmou presença, embora seja esperado no evento.
Ministros do STF que já acompanharam a cerimônia em anos anteriores, entre eles Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, tendem a não comparecer neste ano, de acordo com a reportagem.
Flávio Bolsonaro aposta em ofensiva contra Moraes
Em São Paulo, Flávio Bolsonaro fará da Avenida Paulista o principal palco de sua agenda neste 7 de Setembro. O local foi usado repetidamente por Jair Bolsonaro para grandes atos políticos desde sua passagem pela Presidência.
A manifestação ocorre em meio a uma nova ofensiva de Flávio contra Alexandre de Moraes, intensificada após a divulgação de mensagens enviadas ao ministro pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante uma agenda eleitoral no Rio Grande do Sul, na quarta-feira, Flávio antecipou o lema que pretende levar à Paulista: “fora Lula e fora Moraes”.
A estratégia provocou desconforto para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estará na manifestação, mas procura não associar sua participação diretamente à campanha contra o magistrado. Tarcísio mantém relação institucional com Moraes e evita endossar publicamente o “Fora Moraes”.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por outro lado, não deve participar do ato, segundo interlocutores citados pela reportagem. A ausência ocorre em meio a cobranças de aliados de Flávio por um envolvimento maior de Michelle na campanha presidencial.
Integrantes do entorno do candidato avaliam que a ex-primeira-dama tem concentrado esforços em sua própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e que sua participação poderia ser ampliada para aproximar Flávio de dois segmentos considerados estratégicos: o eleitorado feminino e os evangélicos.
Na estreia da propaganda eleitoral, Michelle falou sobre sua própria trajetória e afirmou ter recebido de Jair Bolsonaro a “missão” de disputar uma vaga no Congresso, sem citar a candidatura presidencial de Flávio.
Aliados pedem cautela no confronto com o STF
Apesar do endurecimento do discurso contra Moraes, aliados têm recomendado que Flávio mantenha as críticas dentro dos limites institucionais para reduzir riscos jurídicos durante a campanha.
Uma das orientações é concentrar a ofensiva em decisões específicas do ministro e em instrumentos previstos na legislação, como a possibilidade de abertura de um processo de impeachment no Senado.
A preocupação é impedir que Flávio reproduza o nível de confronto mantido por Jair Bolsonaro com o Poder Judiciário durante seu governo. Em 2021, o então presidente chegou a afirmar que deixaria de cumprir decisões judiciais assinadas por Moraes.
Flávio tenta, ao mesmo tempo, separar seus ataques ao ministro de críticas ao Supremo como um todo. Na quarta-feira, afirmou que é necessária uma “defesa intransigente” do STF e comparou Moraes a uma “laranja podre” que não poderia contaminar os demais integrantes da Corte.
Outros presidenciáveis também fazem atos
Os demais candidatos à Presidência também organizaram agendas públicas para o feriado.
Augusto Cury, candidato do Avante, deve participar de uma caminhada na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ronaldo Caiado (PSD) permanecerá em seu principal reduto eleitoral e acompanhará o desfile de 7 de Setembro em Goiânia.
Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) estarão em São Paulo. Renan anunciou um ato próximo ao Obelisco do Ibirapuera, enquanto Zema também estará na Avenida Paulista, mas no período da manhã. O ato de Flávio Bolsonaro está previsto para a tarde.
Na pesquisa Datafolha mais recente citada pela reportagem, Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Augusto Cury registra 8%, Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos marca 3% e Romeu Zema aparece com 2%.