Anatomia do Caos é um documentário político que mostra os bastidores da CPI da Covid
A obra se propõe a traçar um panorama nacional de como “decisões deliberadas” e “a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global” moldaram o cenário de crise em todo o país. A cineasta baiana revisita a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid. A diretora teve acesso aos bastidores da comissão no Senado e entrevistou parlamentares no longa que pretende discutir memória e justiça no Brasil.
“Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua.
O filme que chega aos cinemas com distribuição da Descoloniza Filmes, relembra as omissões do governo de Jair Bolsonaro e a postura de parlamentares da extrema direita durante a pandemia que culminaram na morte de mais de 700 mil brasileiros. A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros inéditos de bastidores de senadores que integravam a CPI e buscavam respostas, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
Em abril de 2021, a diretora Dandara Ferreira decidiu ir a Brasília registrar os trabalhos da comissão em um momento de incerteza e medo. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, afirma ela.
Para a realizadora, a CPI da Covid surge no documentário como o palco de uma tragédia nacional, um teatro político. O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada e colocou a ciência em xeque. “Anatomia do Caos” também aborda uma questão recorrente nos processos de CPIs no país: a impunidade ao final dos trabalhos. Segundo a diretora, o documentário não busca apenas revisitar o passado, mas questionar o presente e o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, conclui.
Anatomia do Caos chega aos cinemas brasileiros no dia 2 de julho, com sessões especiais previstas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Fortaleza. O lançamento será marcado por um amplo circuito de exibições seguidas de debate, com a presença da diretora, reforçando o papel do filme como um espaço de diálogo e reflexão coletiva sobre a história recente do Brasil, permitindo que o público discuta a memória da pandemia e a necessidade de justiça.
Segundo o site Adoro Cinema “Anatomia do Caos constrói um panorama íntimo e impactante sobre poder, responsabilidade e memória coletiva. Mais do que revisitar os fatos, o filme busca compreender as feridas abertas por uma crise que mudou o país para sempre”.
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