O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, convocou uma reunião emergencial sobre o Afeganistão para a próxima segunda-feira (30/08), com representantes dos Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança que têm direito de veto
A convocatória da reunião acontece após duas explosões serem registradas nesta quinta nos arredores do aeroporto internacional de Cabul, no Afeganistão, deixando ao menos 60 mortos e 140 ficaram feridos. Leia Aqui
O presidente dos Estados Unidos fala em retaliação aos responsáveis pelos ataques no Afeganistão: “Não vamos perdoar; vamos caçá-los para fazer vocês pagarem”, declarou. É a “guerra sem fim”, como analisou Julian Assange.
Segundo ele, o objetivo é usar o Afeganistão para lavar dinheiro longe dos padrões tributários dos Estados Unidos e levá-lo “limpo” para a elite de segurança transnacional. O objetivo portanto não seria uma guerra bem sucedida, mas uma guerra sem fim.
A ocupação no Afeganistão, de acordo com Assange foi um desastre para o “povo afegão”, bombardeado, invadido e tornado povo de miseráveis, mas foi sucesso sem limites para o que Ray McGovern define com perfeição, como o Complexo MICIMATT (Militar-Industrial-Contrainteligência-Mídia-Academia-Think Tanks). Quem comprou ações de Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon e o resto dessa gente fez aquisição — literalmente — “matadora
Com a Queda de Cabul e o retorno do Emirado Islâmico do Afeganistão, vai ficando claro que se servir de táticas soft de poder financeiro pode ser até mais mortal que mera ocupação pela OTAN.
Washington congelou $9,5 bilhões das reservas do Banco Central Afegão; e o Fundo Monetário Internacional cancelou empréstimos ao Afeganistão, incluindo $460 milhões que seriam parte de um programa de ajuda relacionada a medidas de alívio durante a pandemia de Covid-19.
Esses dólares pagam salários e importações do governo afegão. Sem esses dólares, o “povo afegão” sofrerá ainda mais — consequência direta de inevitável depreciação da moeda, que levará a aumento dos preços dos alimentos e a inflação.
Um evento clássico de “pegue o dinheiro e corra” foi corolário dessa tragédia econômica: o ex-presidente Ashraf Ghani fugiu do país, depois de, como foi divulgado, ter carregado $169 milhões em quatro carros, em espécie, dos quais $5 milhões ficaram na pista no aeroporto de Cabul.
Essa informação foi prestada por duas testemunhas: um dos guarda-costas do ex-presidente e o embaixador afegão no Tadjiquistão. O avião de Ghani não recebeu autorização para pousar no Tadjiquistão nem no Uzbequistão, seguindo para Omã, até que Ghani conseguiu autorização para pousar nos Emirados Árabes Unidos — muito próximo de Dubai, uma das mecas globais de contrabando, lavagem de dinheiro, chantagem e extorsão.
Já o joranalista Pepe Escobar, especialista em geopolítica, lembra que enquanto pregavam a liberdade, os EUA armavam jihadistas no Afeganistão inclusive com mísseis: “Os EUA financiou os jihadistas, porque o governo pró-URSS, dentre outras coisas, permitia que as mulheres afegãs frequentassem a universidade. INVENTOU al-Qaeda para combater a URSS – e na sequência culpou a al-Qaeda pelo 11/9 (sem qualquer prova de coisa alguma)”.
Foto Vestibular Brasil Escola
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