“O comportamento da Administração Biden leva-nos a crer que o seu objetivo é criar um pretexto, não para retaliar militarmente mas para impor pesadas sanções económicas à Rússia, uma delas excluí-la do sistema Swift, e assim bani-la da economia global”. O esclarecimento é do General Carlos Branco, membro do Instituto de Relações Exteriores de Portugal.
O aumento de forças militares russas na fronteira com a Ucrânia tem significado um aumento das tensões com os Estados Unidos e os aliados da NATO ( North Atlantic Treaty Organization), também conhecida pela sigla Otan. A Rússia, com o apoio da China, exige o fim da expansão da NATO. Veja Aqui
A NATO, em português Organização do Atlântico Norte, constitui um sistema de defesa coletiva através do qual os seus Estados-membros concordam com a defesa mútua em resposta a um ataque por qualquer entidade externa à organização. Cerca de 30 países integram a organização criada sob a liderança dos EUA em 1949 com o objetivo de proteger os países da Europa Ocidental da expansão da extinta União Soviética e combater a disseminação do comunismo após a Segunda Guerra Mundial.
A Nato-Otan, garante que os recursos de todos os países-membros possam ser usados para proteger qualquer uma das nações que integram a aliança. Isso significa que países menores, com pouca infraestrutura militar, podem contar com equipamento bélico de primeiro mundo para se protegerem em caso de conflitos armados e receber a ajuda de uma força militar com enorme contingente.
A Ucrânia não faz parte da Otan, mas é vista pela aliança como uma importante aliada, sendo esta uma das principais causas do aumento da pressão no Leste Europeu por conta da firme oposição da Rússia. A Ucrânia era uma das 15 repúblicas da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (ex-URSS). Com a independência e a desintegração soviética (1991), o país passou a formar, junto com a Rússia e o Cazaquistão, o tripé mais importante da geopolítica herdada da ex-superpotência socialista.

O Leste ucraniano é de maior influência russa, especialmente a região de Donbass, e o oeste é mais pró-ocidente e busca uma aproximação com a União Europeia (UE). A região de Donbass, formada por Donetsk e Lugansk constitui a ‘bacia carbonífera do Donets. Com seus 98.900 km2 , constitui-se numa importante região mineradora e industrial com uma bacia carbonífera que cobre cerca de 23 300 km², sendo a maior região produtora de ferro e aço da Ucrânia e uma dos principais complexos de indústria pesada do mundo. A Nato/Otan tenta expandir sua força para o Leste.

Em 1994, como resultado de um acordo intermediado pelos EUA, Inglaterra e Rússia, a Ucrânia abdicou de seu arsenal nuclear. Para persuadir os ucranianos, os EUA e a Grã-Bretanha assinaram com os russos acordos que garantiriam a integridade do território em troca da entrega das armas nucleares à Rússia.
Os EUA colocaram 8.500 soldados em alerta para agirem prontamente caso as Forças de Resposta da Otan sejam chamadas, mas outros importantes países-mebros da Otan relutam em participar dos exercícios militares, entre eles a Alemanha, a França e o Reino Unido.
“A explicação (do conflito) não se encontra em abordagens maniqueístas dos bons contra os maus, mas sim na geoestratégia, que tem influenciado de modo decisivo a política externa das grandes potências”, alerta Carlos Branco, Major-General, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), em artigo disponível Aqui
Para reforçar sua análise Carlos Branco cita o conselheiro de segurança do ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, que disse em 1997: “a Ucrânia “é um pivô geopolítico” porque sua existência como país independente ajuda a transformar a Rússia. Sem a Ucrânia, a Rússia deixa de ser um império euroasiático… se Moscou recuperar o controle da Ucrânia, a Rússia recupera imediatamente a capacidade de se tornar num estado imperial poderoso, abrangendo a Europa e a Ásia.”
Foto- O Liberal
.
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
