Guerra da Ucrânia redesenha política no mundo

Guerra da Ucrânia redesenha política no mundo

O cantado golpe de elites insatisfeitas, ou da linha dura militar, não deu as caras. Putin, hoje, mantém o controle total sobre o tecido político de seu país, coibindo dissensos aqui e ali.

Putin conta  como Napoleão e Stálin com o general inverno, agora em versão continental. O frio que se avizinha aos poucos na Europa poderá romper ainda mais a paciência popular com o apoio de governos à guerra.

Ainda não há alternativas viáveis para substituir a contento o gás natural russo.

Isso leva à tentadora conclusão de que a guerra pode ter seus dias contados, o que é ilusório por ora pois a Otan (aliança militar ocidental) a essa altura não pode se permitir mais humilhação ante os russos.

Mas, na prática, não pôde impedir a invasão e a continuidade do conflito. Há grande apoio militar a Kiev, o que ajudou a resistência a segurar as tropas russas que chegaram à capital. Só os Estados Unidos já deram mais de US$ 10 bilhões em armas.

Isso é mais do que o dobro do orçamento militar inteiro do governo de Volodimir Zelenski, durante o ano passado.

Isso tudo começa a ser questionado na Europa, a queda do governo italiano sendo exemplo, restando saber como um Congresso americano comandando pelos republicanos próximos do ex-presidente Donald Trump reagirá.

Há também a realidade no campo de batalha, que vive já sua terceira grande fase. Ela parece estática, mas vê a tática russa mais tradicional, de atrito, ganhar lentamente o leste do país. No sul, a prometida contraofensiva ucraniana se limitou até aqui a atrapalhar as linhas de suprimento russas, sem avanços.

Putin reforça posições no sul e avança no leste, enquanto Zelenski dá golpes mais simbólicos do que efetivos: ataques a posições russas na Crimeia, o que parece ter comprado de brinde a acusação de ter matado a filha do ultranacionalista Aleksandr Dugin.

No centro desse vaivém está a usina nuclear de Zaporíjia, ocupada por russos mas operada por ucranianos.

O custo humano é impagável. Os mortos estão na casa incerta das dezenas de milhares, e cerca de um terço da população ucraniana teve de deixar suas casas, muitas vezes para fora do país. Os horrores de Mariupol, palco do mais brutal cerco até aqui, viraram contos cautelares sobre a natureza da guerra.

O conflito já é parte da Guerra Fria 2.0 entre China e EUA, com Pequim firme ao lado de Moscou, buscando entender se há espaço para uma nova ordem mundial como Putin e Xi Jinping pretendem.

A crise em torno de Taiwan, exacerbada pela visita de Nancy Pelosi à ilha reivindicada por Xi, aumentou a sensação de interligação entre os desafios ao Ocidente.

A Terceira Guerra Mundial está mais presente do que nunca,  mas as peças se movem, sugerindo novos blocos sobrepostos de poder.

O oportunismo da Índia em ser aliada dos EUA no grupo anti-China Quad e uma das válvulas de escape da economia russa ao mesmo tempo mostra a complexidade da engrenagem de um redesenho mundial que não tem contornos claros, mas está em curso.

Via: NoticiaAoMinuto

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