O tédio do Horário Eleitoral

O tédio do Horário Eleitoral

O tédio do Horário Eleitoral
O tédio do Horário Eleitoral

A campanha eleitoral não é uma festa da democracia. É um mercado de produtos. O melhor embalado conquista os votos. Nessa disputa o Programa de TV marca pontos significativos, mas o Horário Eleitoral que já foi um programa imperdível se transformou numa coisa enfadonha e quase asséptica, infectado aqui e ali por uns poucos germes de combatividade e disputa quando o adversário de todos é atacado.

Com a criatividade dos marqueteiros em baixa, o que atinge tanto as campanhas majoritárias quanto as outras, deixamos de ligar a Tv para não ter que assistir candidato falando de papai; candidata falando como se estivesse fazendo convite para motel e os indefectíveis defensores da família. Aliás, entre estes destaca-se um com voz mansa e olhar de aço. O olhar do candidato contradiz totalmente seu discurso. São olhos de abismo. Prestem atenção no olhar e na postura corporal, isso diz muito mais que o discurso.

Saudade de campanhas com personagens como a presidente do Sindicato das Prostitutas do Acre, moradora do Papôco, uma candidata que valia o Horário Eleitoral com sua sinceridade sem papas na língua, ou de Edvaldo Guedes desfilando em seu jegue ou burro, pouco importa, o importante era a chacoalhada na campanha acompanhado da eterna noiva e seus discursos sobre a Cafua não me Deixes,  um lugar estranho, com jiboias no forro, segundo um enteado dele. Saudade das campanhas criativas e espirituosas da Cia de Selva, com o Gilberto Braga e o Davi Sento Sé matando a pomba. Inesquecível!

Saudade de outros candidatos que marcaram o Horário Eleitoral no Acre com suas performances inusitadas, como um que esqueci o nome, mas que aparecia junto com a família, todos com vassoura em punho para varrer a corrupção. Não se elegiam, é bem verdade. Mas, animavam a festa.

Profissionalizaram a tal ponto a política que ela perdeu a graça, e na maioria das vezes era só isso o que restava ao eleitor. Até isso nos tiraram.

Pena que nenhum candidato assuma: “vote em mim que sou o mais chato”.

Pegando no sono enquanto ouço expoentes de candidaturas proporcionais discursarem como se majoritários fossem e majoritários se esquivando do real problema que é aplicar economia à política e na ausência de entendimento se apegando a estratégias de identificação do eleitor em qualquer ponto. E para isso, serve o presidente Bolsonaro, o ex-presidente Lula, a família, as drogas e o aborto, estes três últimos ítens embalam os discursos dos que não têm nada a apresentar. Esta é a época em que os salvadores do Acre surgem de todos os cantos do estado e até de outros estados. Abnegados demais para permanecerem depois que a eleição passa.  Mas, o programa eleitoral no rádio e na tv aceita tudo, oxalá, o eleitor não.

Tem até candidato majoritário montado na grana que grava programa sob o sol. Sem rebatedor. Programa e campanha pobres em todos os sentidos. Follow the money please, TRE.

Claro que a regra não é geral, mas as poucas exceções que confirmam a regra, não são em número suficiente para me fazer mudar de ideia.

Esta é uma coluna de opinião.

Fonte- Minha cabeça

Imagem- iStock

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