– Fondo
Depois de muitas idas e vindas, discussões e apelações, os vereadores de Rio Branco meteram a mão no dinheiro público “dicumforça”. Se autoconcederam aumento de 45% nos salários e de quebra aumentaram para 50 mil reais por mês a verba de gabinete. Para completar o estrago criaram mais 77 cargos na prefeitura. O desconfiômetro acendeu o alerta para a possibilidade de indicação para ocupar esses cargos seja dos próprios vereadores. Foi o típico caminho de rato expresso na jocosa frase atribuída a um jogador de futebol: “fiz que fui mas não fui, enganei o goleiro e acabei fondo”. Com a palavra o eleitor para responder se vale a pena manter esse custo e o que fazem os edis para merecer tanto dinheiro quando a população vende o almoço para comprar o jantar. A pergunta não pode ser estendida aos comissionados da Câmara de Vereadores que também estão “buiados”. Vão dispor de um auxílio alimentação de 1.500 reais. E segue a farra com dinheiro público…até que alguma ação na justiça possa fechar essa torneira.
-Defesa cara
Alguém pode concluir que é muito dinheiro para defender o prefeito. Sim, porque a maioria dos vereadores da capital atua como base de defesa do prefeito. Depois reclamam quando alguma figura pública contrata uma banca de advogados cara. Parece que defesa é o item mais caro da cesta democrática. E sim, os vereadores também aumentaram o salário do prefeito Tião Bocalom (PP), mas não vou falar sobre ele hoje, em respeito ao momento delicado que vive com a doença do pai. Mas, não perde por esperar. Só o reajuste na verba de gabinete deve totalizar um gasto de 850 mil mensais. Me pergunto quantas pessoas atingidas pela enchente poderiam ser ajudadas com esse valor…Bonito hein vereadores João Marcos Luz (MDB) e Fábio Araújo (PDT)?
-Responsabilidade
Segurança pública é um conjunto de ações e de responsabilidades. Os prefeitos têm participação nisso. Se as ruas não têm condições de tráfego como exigir rondas e ações da Polícia na área. O incidente ocorrido recentemente com uma viatura que caiu numa cratera na rua 25 de março, no bairro Plácido de Castro, prova isso. Prefeito que não garante a infraestrutura necessária deveria ser responsabilizado. Por exemplo, o Estado deveria poder processar e exigir o ressarcimento do prejuízo com a viatura. E se o caso envolvesse risco de morte para algum cidadão que houvesse acionado a polícia que não conseguisse chegar ao local por causa das más condições da via, poderia haver o pedido de indenização. Afinal, responsabilidade é para ser cumprida. Mas, não vou cobrar isso do prefeito Tião Bocalom agora, pelo motivo exposto acima. Vereadores que não fiscalizam e não cobram também são responsáveis.
-Prática antiga
A declaração do ex-governador do Acre, Romildo Magalhães ao jornalista Roberto Vaz que o Secretário de Estado Emílio Assmar teria recebido uma propina de 15 mil dólares para garantir obras para a construtora CR almeida, confirma o que a coluna havia adiantado- propina e obras públicas são irmãs siamesas. A diferença no caso é que o governo Gladson Cameli (PP), é investigado. Os outros, apenas deixaram correr solto. E observem que no meio disso temos o caso do assassinato do governador Edmundo Pinto. Quem quiser que compre a versão que foi latrocínio. Edmundo havia anunciado que iria “contar tudo” em seu depoimento à CPI das Obras.
– Strike again
E lá vai Mazinho Serafim (União) para o confronto público novamente. O prefeito pavio curto não consegue se controlar. Basta aparecer uma crítica, um questionamento, para partir para o ataque. Ao que parece os vereadores de Sena adotaram o hábito do prefeito. O vereador Denis Araújo (PSDB), por exemplo, ao ser desmentido por Mazinho, apelou chamando o prefeito de “mentiroso e bicho feio”. Tudo isso numa rede social, acompanhada por todo mundo. Bons tempos em que a política tinha um verniz de educação nas discussões: “vossa excelência falta com a verdade…etc e tal”. A grosseria e falta de civilidade constituem um mau exemplo que se espalha entre os cidadãos. Detalhe importante- Denis já foi da base de apoio de Mazinho na Câmara o que torna suas acusações um pouco, digamos…de efeito reduzido.
-Vai e volta
O prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim, já comemorava a transferência do hospital João Câncio para a prefeitura quando o governador Gladson Cameli deu no meio da linha de Mazinho. Cameli suspendeu a exoneração dos diretores que já estavam previstas para acontecer nos próximos dias. Mazinho, segundo informações, havia conseguido costurar o acordo para assumir o controle do hospital, com o secretário de governo Alyson Bestene, mas parece que não combinaram com o chefe. Informações diretas de Sena Madureira dão conta de existir por trás do interesse em controlar politicamente o hospital, um acordo com o diretor da Santa Casa e com o senador Márcio Bittar. Mazinho foi acusado de desvios de recursos da Saúde. Bittar alocou uma emenda de cerca de 130 milhões para a Santa Casa. Parece que o projeto dos três era grandioso. Bem grandioso. Um quarto elemento de farda estaria envolvido. Mas isso é assunto para outra nota.
-Mau gosto
Os adolescentes envolvidos na divulgação de ataques à escolas disseram à polícia que tudo foi uma brincadeira. De péssimo gosto, diga-se de passagem. Levar o terror à população, não pode ser encarado como brincadeira. Se não forem punidos a prática vai continuar. Não creio que interna-los nessas prisões para menores chamados de Institutos Educativos resolva. Ao contrário. O convívio com outros que praticaram crimes pode ser pior, mas que é preciso pensar numa punição exemplar, isso é. Ainda defendo que a prestação de serviços à comunidade é a melhor saída. Serviços pesados. Braçal. Para cansar o corpo. E a proibição de utilizarem computadores, celulares, internet. Junto com isso, tratamento psicológico. Eles precisam entender que tudo tem consequência.
– Atentados
Especialistas alertam a sociedade para que abra os olhos e entenda o que está acontecendo no Brasil, com essa onda de atentados e ameaças a escolas. Segundo eles, as pessoas só enxergam o óbvio. No caso, o bullying e a negligência parental como causadoras. Mas deixam de observar a vulnerabilidade dos jovens à ideologias extremistas; a participação da garotada em grupos online sem restrições por parte das plataformas e sem o conhecimento dos pais e educadores; o aumento do acesso a armas de fogo e armas brancas; a disseminação dos discursos de ódio, misóginos e racistas e a espetacularização da mídia no tratamento dos casos. Um conjunto explosivo que requer a atenção e o cuidado de todos.
Boa tarde, vereador João Marcos Luz. O dinheiro público também pode seguir o princípio bíblico do “do pó vieste e ao pó voltarás”? Se assim for, o dinheiro vem do povo e a ele voltará. Muito pobre vai comemorar o autoconcedido aumento de vocês, né? Ou não? Aguardemos as manifestações no meu wahtasapp.
Esta é uma coluna de opinião
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