Coluna da Angélica- vereadores não conseguem se conceder o auxílio que necessitam

Coluna da Angélica- vereadores não conseguem se conceder o auxílio que necessitam

1-Contraditório

A entrevista do deputado coronel cantor, Ulysses Araújo (União) ao programa X da Questão foi um porta-joias. Cheia de pérolas. Ouso pensar que se os deputados da CPMI do 8 de janeiro assistirem, vão convocar o parlamentar acreano para depor. Ulysses disse que tem certeza que os atos terroristas foram praticados por infiltrados. Quem tem certeza tem provas. Quem tem provas apresenta e acaba com a CPMI. Insistindo no ultrapassado antipetismo, o deputado disse que não existe a palavra corrupto, sem as letras PT. Nada contra uma pessoa não gostar de um ou outro partido político, mas persistir nessa tecla, quando o governo Bolsonaro que ele defende, esteve atolado em corrupção é no mínimo contraditório. Problemas existem em todos os partidos e sistemas políticos. Mas Ulysses não tem culpa de desconhecer. Não deve ter estudado Ciência Política nos cursos militares. Por exemplo, não deve ter conhecimento sobre o movimento fascista Ação Integralista Brasileira, da década de 1930, apesar de usar a frase Deus, Pátria e Família que é uma versão ampliada do slogan desse movimento fascista. Mas Ulysses é calouro na Câmara. Tem quase 4 anos para aprender. A gente espera.

2-…e belicoso

Duas frases me chamaram a atenção.   Uma delas foi que o erro de Jair Bolsonaro (PL) foi não ter degolado esse pessoal todinho porque cobra não se cria, “você corta a cabeça”. Pode ter sido força de expressão. Mas que força tem essa expressão! Depois de tudo isso, Ulysses afirmou que coloca Deus acima de todas as coisas. Mas pelo jeito é um Deus bélico. Sempre me ensinaram que Deus é amor, não ódio.  Não, degola. Me pergunto se não tem um pastor na igreja para puxar a orelha do candidato a santo “disposto a sacrificar a própria vida se preciso for”, que depois de uma expressão chula concluiu a entrevista cantando um louvor a Jesus. Pouco antes de se aventurar no sucesso gospel, o deputado afirmou que “se Deus quiser o povo vai dar um pé na bunda desse pessoal”. Mistura explosiva de caserna, religião e política.

3-Fake News

Ulysses foi contra o PL das Fake News e analisa que a Câmara dos Deputados impingiu uma grande derrota ao presidente Lula (PT). Coincidentemente li um tuíte de Jack.Quiroga que dizia: “absurdos do Brasil. Chegamos a uma decadência moral tão grande que estamos lutando para aprovar uma lei que proíba a pessoa de mentir publicamente…e os paladinos da moral são contra” (Sic).

4- Investigação

A Polícia Federal encontrou novos depósitos em dinheiro na conta de Michelle Bolsonaro. Novos. Além dos cartões de crédito e faturas pagas em dinheiro vivo, do depósito do Queiroz que nunca foi explicado. Agora foram depósitos, e transferência feitos por Mauro Cid, o braço direito de Bolsonaro, e o método é aquele  fracionado, comum nos casos de rachadinha/peculato.  A descoberta pode ser mais um rolo envolvendo a família do ex-presidente “moralizador”. Foram joias de 16 milhões contrabandeadas, que tentaram não passar pela alfândega, mansões, dentro e fora do Brasil, apartamentos … parece que se pegar o celular de um deles  tem um código penal inteiro gabaritado. E pensar que Lula foi preso por causa de um triplex que não era dele. Eita Brasil aberto, sem porteira. 

5- Jeito certo

Os vereadores de Rio Branco deram um jeito de se conceder um auxílio alimentação de 1,5 mil e auxílio saúde de 2,5 mil, retroativo a fevereiro. Se tivessem carimbado essa verba para a utilização de serviços de fonoaudiologia e curso de oratória, todo mundo entenderia…o que eles falam.  Mas, auxílio alimentação? Parecem todos tão, digamos, fornidos. Enquanto eles se preocupam com os auxílios, o prefeito, livre, leve e solto fala em novas paradas de ônibus. De vidro. Pode ser até cristal, mas não vai encantar nenhuma Cinderela. Bocalom continua a falar em obras futuras, como se estivesse em campanha e não em mandato. Perdeu a noção de tempo. Agora, seria a hora de apresentar realizações e não promessas. Quando se vê tudo isso junto dá para entender a revolta do leitor que me diz: “tem que tirar tudinho dessa Câmara. Trocar até as toalhas da mesa”.

6- Bateu, levou

O senador Sérgio Petecão (PSD) não gostou nem um pouco de ser chamado de traidor pelo ex-protegido Tião Bocalom (PP). Mágoas antigas que se imaginou estarem superadas, voltaram à tona. Quando Bocalom foi expulso do PSDB, foi Petecão que lhe abriu as portas do DEM. Articulou pessoalmente junto a Agripino Maia que fez uma intervenção no partido e colocou Tião Bocalom como presidente do DEM no Acre. O compromisso era que seria candidato junto com Petecão. Na hora H, Bocalom decidiu concorrer ao governo do estado na eleição de 2014. Petecão passou por cima da ingratidão de outrora e comprou a briga pela eleição de Boca em 2020. Não aprendeu o tradicional ensino de que quem não olha para o passado corre o risco de repetir o erro. Deu no que deu. E parece que agora definitivamente.

7- Rolo

A confusão por causa da manifestação dos médicos em relação à covid da Ministra Marina Silva do Meio Ambiente está grande e extrapola o limite do bom senso por parte dos três médicos. Fonte de dentro dos sindicatos garante que por trás de toda a confusão existe uma disputa política entre o Sindmed (Sindicato dos Médicos) e o CRM (Conselho Regional de Medicina). Segundo as informações, o CRM já tinha aberto uma sindicância interna para apurar a conduta dos médicos, quando o escândalo estourou. A sociedade atônita acompanha a disputa e aguarda que cheguem a um entendimento porque o que não se precisa num estado tão carente desses profissionais é uma luta interna. Uma boa conversa entre estetoscópios e medidores de pressão pode resolver a questão. Desde que deixem os bisturis de fora.

8- Método

Setenta e quatro assassinatos no primeiro quadrimestre de 2023. Vamos combinar que o Acre vive um banho de sangue apesar dos desmentidos oficiais. O  Observatório de Análise Criminal do Ministério Público do Acre só confirma o que a população está cansada de saber. Quando se junta esta informação com a já anunciada dificuldade das Polícias controlarem a ação das facções criminosas, a única conclusão possível é que deixam correr solto para que se enfrentem e se matem para diminuir o número e poder agir. Dificilmente uma execução resulta em prisão. Se for realmente isso, é preciso prestar atenção porque as ações vão ficando cada vez mais cruéis, com métodos semelhantes aos adotados pelo Talibã. Em Feijó, por exemplo, membros de uma facção criminosa deceparam a mão de um homem. Claro que o controle da violência passa pelo fortalecimento da economia e da execução de políticas públicas, mas a Segurança do Estado precisa garantir a segurança dos cidadãos mesmo na ausência dessas ações de governo. Arquibancada só fica bem em jogos de futebol. E com a vida das pessoas não se joga.

Bom dia, governador Gladson Cameli (PP). Vossa Excelência pode me tirar uma dúvida? É verdade que é de Tardezinha que os deuses descem do Olimpo? 

Esta é uma coluna de opinião

Contato- [email protected]

Imagem- Pngwing

 

 

 

 

 

 

Veja também

Ex-assessor do irmão de Zambelli é preso por financiar avião com 470 kg de cocaína

Ex-assessor do irmão de Zambelli é preso por financiar avião com 470 kg de cocaína

A Polícia Federal aponta que Patric Mazzei Mazza, ex-assessor do deputado estadual Bruno Zambelli (PL), …