Coluna da Angélica- Mara Rocha volta ao jogo político

Coluna da Angélica- Mara Rocha volta ao jogo político

1-De volta ao jogo

A ex-deputada federal Mara Rocha está sendo sondada para a disputa majoritária de 2026. Mara ainda não decidiu, mas deve se encontrar com a Executiva Nacional de um partido político nos próximos dias. O partido em questão é afinado com a linha ideológica da ex-deputada e a quer na disputa ao governo do Acre ou a uma vaga ao Senado na eleição de 2026. Os líderes da possível nova sigla de Mara avaliam que as chances dela para o Senado são grandes por ter tido mais votos que Márcio Bittar (União) e Sérgio Petecão (PSD), na última eleição. Os dois senadores que vão tentar a reeleição na única vaga disponível caso Gladson Cameli (PP) entre na disputa.  Nos bastidores empresários afinados com as ideias de Mara, já disputam uma possível suplência. Para eles, a tendência é que o confronto se dê entre Mara e Jorge Viana (PT). Caso em que Mara teria vantagem, levando em conta a característica conservadora do eleitorado do Acre. O certo é que Mara está de volta ao jogo. E com apoio de partido de Direita que pretende se estabelecer no Acre.

2- Rasteira

Mara Rocha levou uma rasteira de Valdemar da Costa Neto (PL). E outra do MDB. A ex-deputada federal filiou-se ao partido de Jair Bolsonaro a convite do presidente nacional do PL, que ofereceu a sigla e total apoio para que presidisse o partido no Acre e fosse a candidata ao governo. Em seguida, seduzido pelo senador Márcio Bittar, Valdemar entregou o partido à ex-esposa de Bittar, Márcia. Sem chão, Mara Rocha aceitou o convite do MDB, partido pelo qual disputou o governo. Não teve apoio partidário na campanha. Exceto uns poucos, a maioria dos candidatos do MDB fez campanha contra ela e votou em Gladson Cameli. Mesmo com a traição, Mara ainda obteve 47 mil votos.

3-Cheiro

Antecipando a movimentação em torno de Mara Rocha, Márcio Bittar procurou a ex-deputada. Queria convencê-la a colocar o nome nas pesquisas para a prefeitura da capital. Mara recusou. Das duas, uma- ou Bittar desconfiou da possibilidade de ter que enfrentar a ex-deputada na disputa pelo Senado ou está em busca de um candidato a prefeito com melhores chances de vitória. De qualquer maneira, é bom o prefeito Tião Bocalom (PP), ficar de orelha em pé. O apoio de Bittar pode ser tão inconsistente quanto um edifício construído sobre areia movediça.

4- Fora

Enquanto Mara define seu rumo político, o irmão Wherles Rocha, ex-vice-governador do Acre permanece bem longe da política institucional. Segundo informações de pessoas próximas a ele, o Major Rocha está mais focado na própria saúde. Ele tem uma cirurgia cardíaca marcada para o próximo mês quando deve trocar uma válvula para corrigir um problema congênito.

5-Apoio

A Frente Parlamentar Evangélica e a da Agropecuária, assinaram uma  nota em favor do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira(PP). O documento foi lido em Plenário pelo coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (PP-PR), após a aprovação do marco temporal para demarcação de terras indígenas (PL 490/07). Essas frentes parlamentares repudiam o que consideram como ofensas ao presidente da Câmara dos Deputados. A atitude não causa surpresa. Pedro Lupion  é filho do ex-deputado federal Abelardo Lupion – que já foi um integrante importante da bancada ruralista – e é bisneto do ex-governador do Paraná, Moysés Lupion, responsável por um dos maiores esquemas de grilagem da história brasileira. Em tempo- Arthur Lira é réu  por corrupção. Tem condenação em 2ª instância e seu mandato está sustentado por uma simples liminar. Pode ser declarado ficha suja e cassado.

6-Apoio II

O presidente da CPI do MST, deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos), recebeu doação de campanha de família alvo de denúncias de manter 324 trabalhadores em regime de escravidão em seus  imóveis rurais.  Os trabalhadores foram libertados em operações do Ministério Público do Trabalho. Zucco também é apoiado pela Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) que minimizou trabalho escravo em vinícolas e quer punições mais brandas para o trabalho infantil. O deputado que propôs a CPI do MST e a preside, foi eleito em 2022 com apoio do movimento armamentista Proarmas, o mesmo que apoiou as candidaturas de Alan Rick e Coronel Ulysses Araújo, ambos do União Brasil. Zucco estava na mesma chapa do ex-vice-presidente e atual senador Hamilton Mourão (Republicanos).  Em março de 2023, em meio ao escândalo de trabalho escravo nas vinícolas gaúchas, Zucco votou a favor da  tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição que visa extinguir o MPT e a Justiça do Trabalho no Brasil. A chamada PEC do “príncipe” Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL).  Não é política. São interesses pessoais. É a defesa dos ricos. A questão não é o MST. É luta de classes. Os latifundiários ricos contra os produtores rurais pobres.

7- Recorde

Em duas votações o deputado Gérlen Diniz (PP), tornou-se um expert em problemas agrários com ênfase em populações indígenas. Diniz que é da PRF, votou a favor da urgência da votação do Marco Temporal e na sequência votou pela aprovação da matéria porque segundo ele isso vai trazer paz ao campo além de regularizar uma situação que há muito necessitava ser enfrentada. Data Venia, nobre deputado, os indígenas vêm sendo enfrentados desde o ano de 1500. Para o parlamentar acreano não é justo que as pessoas que vivem em áreas que se tornaram ou se tornarão reservas indígenas não tenham direito a indenização ao saírem dessas áreas. Na minha modesta avaliação isso é uma premiação aos invasores de áreas indígenas …que não é extensiva ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Gérlen é contra o MST. Pois.

8-Crise de entendimento

O governador Gladson Cameli (PP) disse que o presidente Lula (PT) tem que tomar uma decisão sobre os altos preços das passagens aéreas para o estado do Acre. Lula não é nem dono de empresa aérea nem governador do Acre, por isso o discurso de Gladson soa tão estranho. Mais ainda por o governador do Acre integrar o grupo dos que defendem o livre mercado. Livre mercado é isso- as empresas decidem onde é ou não lucrativo para elas atenderem. Se não se consegue que detentores de mandatos eletivos que são pagos com dinheiro público prestem um serviço decente, imagine uma empresa privada. Por falar nisso, Gladson Cameli não moveu uma palha para evitar a privatização da Eletroacre. Em consequência da privatização, o Acre tem uma das energias mais caras do país, senão a mais cara. Talvez o governador queira que o presidente Lula coloque os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para fazer a rota do Acre. Sei lá…é dificil entender a cabeça de Gladson.

Bom dia, deputado Afonso Fernandes (PL). É verdade que  uma empresa ligada a Vossa Excelência ganhou recentemente uma licitação para prestar serviços principalmente na Secretaria de Saúde? Por nada não…só para saber em que terreno pisamos.

Esta é uma coluna de opinião

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