Segundo uma investigação do meio digital El Faro, desde 2019 — primeiro ano do mandato de Bukele — dois altos funcionários, Osiris Luna (diretor de Prisões) e Carlos Marroquín (responsável pelo Tecido Social), infiltraram-se em centros penitenciários junto com homens encapuzados para se reunir com a “Ranfla” (cúpula da MS-13).
As conversas, documentadas em expedientes do Departamento de Justiça dos EUA, tinham o objetivo defazer com que a gangue reduzisse os assassinatos públicos para projetar uma imagem de êxito na política de segurança. Em troca, o governo ofereceu benefícios carcerários, incentivos econômicos e, segundo a procuradoria estadunidense, apoio implícito para manter o poder territorial da MS-13.
A gangue também teria apoiado eleitoralmente o partido “Novas Ideias” de Bukele nas eleições legislativas de 2021, que terminaram com uma vitória arrasadora do oficialismo. “A MS-13 concordou em dar apoio político ao partido de Bukele em troca de maiores benefícios”, detalha a acusação formal.
Em dezembro de 2021, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC) sancionou Luna e Marroquín por corrupção, alegando que o governo salvadorenho negociou com a gangue para “criar a percepção de uma redução de homicídios”. As sanções corroboram as acusações de que a drástica queda da violência em El Salvador — bandeira de Bukele — esteve ligada a um pacto oculto.
Enquanto isso, a administração de Bukele mantém sua narrativa de guerra contra as gangues, apoiada por uma parcela significativa da população. No entanto, as revelações judiciais e jornalísticas levantam questionamentos sobre os métodos por trás da redução da violência e os custos políticos de uma possível negociação clandestina.
El Salvador se transformou em cadeia dos EUA
Nayib Bukele fez um acordo com o governo Donald Trump para receber prisioneiros da justiça dos Estados Unidos em cadeias localizadas em seu território. Na noite de 30 de março, foram transferidos mais 17 imigrantes presos nos EUA para El Salvador que foi descrita pelo secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, como uma “exitosa operação antiterrorista” coordenada com “aliados” salvadorenhos para “proteger a cidadania estadunidense”. E acrescentou: “já não poderão aterrorizar nossas comunidades ou nossos cidadãos”, reforçando a narrativa sobre a suposta perigosidade dos deportados. Com informações do Diálogos do Sul Global.
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