Mundo doido: ilha africana Annobón da Guiné Equatorial quer pertencer à Argentina

Mundo doido: ilha africana Annobón da Guiné Equatorial quer pertencer à Argentina

Em um pedido diplomático inusitado, a ilha africana de Annobón, localizada no Golfo da Guiné e pertencente à Guiné Equatorial, solicitou formalmente à Argentina que aceite sua incorporação como estado associado — ou até mesmo como uma nova província.

De acordo com o jornal argentino O Clarin, a proposta foi apresentada por Orlando Cartagena Lagar, líder do governo separatista de Annobón, que está em Buenos Aires em busca de apoio internacional. Segundo ele, a iniciativa surge diante do abandono e da repressão enfrentada pela população local sob o regime da Guiné Equatorial.

“Queremos nos associar à Argentina, um país com o qual temos raízes comuns desde o período colonial espanhol”, disse Lagar ao jornal argentino Clarín, explicando que os habitantes de Annobón vivem hoje em condições precárias, sem acesso regular a água, eletricidade ou serviços de saúde.

O pedido, no entanto, levanta implicações geopolíticas. Se aceitasse a proposta, a Argentina passaria a ter presença formal em três continentes — América do Sul, Antártida e África. Além disso, poderia tensionar as relações com a Guiné Equatorial e impactar o apoio de países africanos à causa argentina nas disputas pelas Ilhas Malvinas.

Até o momento, o governo argentino não se pronunciou oficialmente. Fontes do Congresso indicam que a solicitação foi recebida e está em análise preliminar.

Annobón

Annobón é uma pequena ilha vulcânica de 18 km² com 6 km de comprimento e 3 km de largura e 5008 habitantes. Os annoboneses são descendentes de escravos africanos e dos portugueses que colonizaram o local e fizeram lá um entreposto para o tráfico de escravos. Na década de 1980, se transformou em lixeira da Inglaterra. Por U$ 1.600.000, a empresa britânica UK Buckinghamshire comprou a licença para armazenar 10 milhões de tambores de resíduos tóxicos ou radioativos na ilha.  Contratos semelhantes foram assinados com outras empresas europeias e estadunidenses.

O leito marinho ao redor de Annobón contém  grandes reservas de petróleo e a ilha independente desde 2022,  tem grande incidência de febre amarela, cólera e malária.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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