Povo Huni Kuin do Rio Humaitá é atendido no Projeto Cidadão do TJAC

Povo Huni Kuin do Rio Humaitá é atendido no Projeto Cidadão do TJAC

Durante dois dias, terça e quarta-feira, 27 e 28, serviços jurídicos, de saúde, assistência social e documentação foram disponibilizados a indígenas e ribeirinhos

Levar justiça aonde é necessário, no norte do país, muitas vezes exige percorrer rios em batelão, canoa a motor ou helicóptero para alcançar as regiões mais distantes. Foi o  que ocorreu para a realização do Projeto Cidadão do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), nos dias 27 e 28, na Aldeia São Vicente, na Terra Indígena Huni Kuin do Rio Humaitá, afluente do Rio Muru, em Tarauacá.

Parte da equipe seguiu em um barco grande, o batelão, enfrentando uma viagem de três dias. Outra parte foi em canoas motorizadas, com duração de dois dias. Já o restante chegou de helicóptero. Uma logística grande e complexa que contou com o apoio do Governo do Estado do Acre, da Prefeitura de Tarauacá e da própria comunidade indígena, tudo para garantir o atendimento à população Huni Kuin e aos ribeirinhos que vivem na região.

Neste ano, o Projeto Cidadão completa 30 anos, e levar o atendimento até a Terra Indígena Huni Kuin reforça o compromisso do Tribunal de Justiça do Acre com a inclusão, a cidadania e o acesso à justiça para todas as populações. A Terra Indígena abriga cerca de 830 pessoas, distribuídas em sete aldeias, duas delas recém-formadas e atualmente em processo de reconhecimento pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), conforme explicou o cacique da aldeia anfitriã, Amẽ Huni Kuin.

“Tô falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado. Estava há muito tempo pedindo aos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, disse  o cacique. Em 2023, Amẽ já tinha pedido que o Projeto Cidadão fosse levado à Aldeia, quando esteve na edição do Projeto Cidadão no Seringal Paraíso. O seringal fica antes da São Vicente, umas quatro horas de barco pequeno com motor.

Nos dois dias foram oferecidos mais de 20 serviços nas áreas jurídicas, documentação, saúde e de assistência social. As audiências foram conduzidas pela juíza Stéphanie Winck, titular da Vara Cível da Comarca de Tarauacá, com o promotor Eduardo Lopes e a defensora Isadora Gonçalves.

Essa foi a primeira aldeia do Acre que a magistrada esteve. Ela falou sobre a troca cultural e a alegria em participar dessa atividade. “É motivo de alegria imensa estar aqui presente com toda a equipe. Tem quase 100 pessoas servindo a população tradicional da aldeia e também os ribeirinhos”, ressaltou a juíza.

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