Brad Lander, candidato democrata à prefeitura de Nova York, foi violentamente detido por tentar proteger imigrantes; ofensiva vira regra e já atinge senador, prefeito e juíza que se posicionaram contra políticas de Trump
Em 17 de junho, forças federais detiveram violentamente Brad Lander, controlador da cidade de Nova York e um dos principais candidatos democratas à prefeitura da maior cidade dos Estados Unidos. A prisão, realizada nos corredores de um edifício do governo, fora de um tribunal migratório e diante de testemunhas e câmeras, foi apenas mais um episódio de uma série de detenções radicais contra políticos opositores ao presidente Donald Trump.
Nos 150 dias em que o magnata está no poder, agentes armados e procuradores federais já haviam detido e algemado um senador federal, o prefeito da principal cidade de Nova Jersey, uma juíza de condado em Milwaukee – contra quem, junto a uma deputada federal, estão movendo um processo penal – além de terem algemado uma assessora de um deputado federal em frente ao seu escritório.
A ameaça de repressão contra manifestantes se concretizou em várias partes do país, algo que se intensificou com o envio de até 4 mil membros da Guarda Nacional e 700 fuzileiros navais a Los Angeles, enquanto o presidente ameaça fazer o mesmo em outras grandes cidades. A polícia local, em várias dessas cidades, também respondeu com golpes, prisões, gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra os manifestantes. O fato de que os incidentes violentos por parte dos manifestantes foram isolados – cometidos por um número minúsculo entre os milhares que saíram às ruas em protesto – é ignorado pelas autoridades federais, que preferem as imagens de “caos” para justificar suas manobras repressivas.
Brad Lander, preso por defender imigrantes
A detenção de Brad Lander foi denunciada por políticos democratas e líderes cívicos como “mais uma barbaridade” do governo Trump. Porta-vozes do Departamento de Segurança Interna justificaram a ação, acusando formalmente Lander de obstrução e até agressão a agentes federais, enquanto ele acompanhava um migrante em sua audiência num tribunal migratório.
Lander, como outros, estava tentando proteger imigrantes da nova tática dos agentes federais: prendê-los no momento em que comparecem ao tribunal para tratar de seus casos. Quando os promotores desconsideram o processo, os solicitantes de asilo ficam expostos legalmente, o que permite que os agentes efetuem a detenção.
Mas, além de discutir se essa tática é legal ou não, as imagens de um político eleito sendo perseguido por agentes federais mascarados e sem identificação, obrigado a colocar os braços para trás para ser algemado e levado a uma sala de detenção, abalaram os meios políticos do país.
Recentemente, o senador federal da Califórnia, Alex Padilla, foi jogado ao chão e algemado por agentes federais por ousar fazer uma pergunta à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em Los Angeles. Ao ser liberto algumas horas depois, comentou que, se isso pôde acontecer a um senador federal diante dos olhos do público, “imaginem o que acontece com os trabalhadores migrantes nas ruas e nos campos” durante as operações de repressão.
Não são casos isolados
Esses incidentes, junto à prisão brusca de Ras Baraka — prefeito de Newark, Nova Jersey, por insistir que tinha o direito de observar o que ocorria em um centro de detenção de migrantes em sua própria cidade —, a perseguição penal a uma deputada federal que também estava lá naquele dia, a detenção de uma juíza de condado em Wisconsin — acusada de tentar evitar a prisão de um imigrante — e a detenção de uma assessora do deputado federal democrata Jerrold Nadler em frente ao seu escritório em Nova York, já não podem ser vistos como erros ou excessos isolados de agentes federais. Agora, é preciso supor que são ordens claras para reprimir todo político que se oponha às políticas anti-imigrantes do governo republicano.
A senadora democrata Tina Smith, de Minnesota, perguntou ao New York Times: “Os membros do Congresso precisam de escoltas de segurança para se protegerem do Poder Executivo?”
Temor de violência por parte de extremistas
O deputado Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata da Câmara dos Deputados, em declaração após a prisão de Lander, advertiu que “o ataque agressivo contra funcionários eleitos democratas inevitavelmente fará com que esses servidores públicos também sejam marcados para morrer pelas mãos de extremistas violentos. O governo Trump e sua tropa de agentes mascarados devem mudar de rumo antes que seja tarde demais. Isto é os Estados Unidos”.
Outros parlamentares afirmam que todos esses incidentes e o envio de tropas são sinais claros de “autoritarismo”.
Vale ainda lembrar que, como se viu em Los Angeles, Trump está preparado para ordenar o envio de tropas militares armadas contra cidadãos estadunidenses nas ruas. Ele declarou que se arrepende de não ter ordenado o uso das Forças Armadas para reprimir os protestos contra a brutalidade policial, organizados pelo movimento Black Lives Matter, em várias cidades, incluindo Portland, Minneapolis e a própria capital federal, durante seu primeiro mandato em 2020. As informações são do Diálogos do Sul Global
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
