Prisão de primo de Nikolas levanta suspeitas sobre domínio de facção criminosa com viés religioso na comunidade onde o deputado cresceu

Prisão de primo de Nikolas levanta suspeitas sobre domínio de facção criminosa com viés religioso na comunidade onde o deputado cresceu

Vereador de Belo Horizonte revela detalhes obscuros que associariam Nikolas Ferreira ao crime na capital mineira

“Níkolas nasceu na Cabana do Pai Tomás, comunidade aqui de Belo Horizonte. E desde que virou deputado, começaram a surgir denúncias que uma facção evangélica… Sim, você leu certo… evangélica tomou conta da região. Eles usam a bandeira de Israel como símbolo e misturam tráfico de drogas com religião. Isso tem nome. Narcopentecostalismo. É o tráfico que ora antes da execução, que batiza com fuzil em punho e que domina o território com Bíblia e bala”, denuncia o vereador Pedro Rousseff (PT) de Belo Horizonte-MG, que cobra investigação para apurar fatos e ligações. Leia mais sobre o narcopentecostalismo Aqui

A denúncia foi feita através de um vídeo após a prisão de Glaycon Raniere de Oliveira Fernandes, primo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no mês passado.  Glaycon foi flagrado com 30 quilos de droga no seu carro e preso por tráfico internacional de drogas.

Glaycon é filho de Enéas Fernandes, tio de Nikolas, que recebeu mais de R$ 1 milhão em emendas parlamentares (dinheiro público), do deputado sobrinho quando era secretário municipal e pré-candidato a prefeito de Nova Serrana, cidade distante 123 km da capital Belo Horizonte e com 105 mil e 522 habitantes.

A partir da denúncia do vereador, o Ministério Público e a Polícia Federal deverão investigar o uso indevido de emendas parlamentares, relações familiares com o tráfico de drogas e suposta conexão com facções religiosas criminosas em Belo Horizonte.

Atuação de Nikolas Ferreira

1-Fake News

O deputado federal mais votado de Minas Gerais se destaca por gritar contra o sistema e pela divulgação de Fake News e projetos de conteúdo questionável, apelando para moral e bons costumes.

Durante a campanha eleitoral de 2022, espalhou a mentira que se  Lula fosse eleito incentivaria o uso de drogas por crianças e adolescentes.

Dentre outras polêmicas, foi responsável pela chamada Crise do Pix  insinuando que o presidente Lula (PT) poderia passar a taxar as operações via Pix. Nikolas  manipulou uma série de informações econômicas para criar um ambiente de “taxação geral” de todas as transações financeiras no país, o que foi desmentido pela Receita Federal. A colunista mineira Ana Mendonça, analisa que esta é a estratégia do parlamentar: “trata-se de um discurso construído com meias verdades e omissões calculadas manipulando a opinião pública”.

Foi a partir da campanha contra o monitoramento do Pix que Nikolas Ferreira, até então considerado “apenas mais um palhaço na política”, passou a ser observado com mais atenção.

O monitoramento do Pix serve para coibir golpes e a lavagem de dinheiro, o que levantou suspeitas que o parlamentar estaria acobertando a lavagem de dinheiro por parte de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, o que remete às denúncias recentes do vereador mineiro Pedro Rousseff.

2- Votos contra os trabalhadores

Nikolas Ferreira, sempre que teve oportunidade, votou contra os trabalhadores e setores mais pobres do Brasil. Ele votou contra zerar o imposto de 40 alimentos essenciais e também se posicionou contra o fim da escala 6×1. Votou a favor da taxação das compras da China, a chamada “taxa das blusinhas”. Votou contra a Reforma Tributária do presidente Lula e a isenção do pagamento de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil;  votou contra o Projeto de Lei (que foi aprovado), que cria uma tarifa social de água e esgoto para famílias com renda de até meio salário mínimo.

Aliado de Jair Bolsonaro (PL), não se posicionou quando o então presidente cortou benefícios sociais e impediu a vacinação rápida que possibilitaria que  camelôs, entregadores e a classe  trabalhadora  pudesse voltar a trabalhar e ganhar dinheiro durante a pandemia.

Em 2021, ajudou a derrubar proposta que buscava conter inundações na capital mineira e ainda saiu dizendo que os opositores faziam ‘uso político de tragédia’.

Em 2024 a coluna de Etiene Martins do jornal mineiro O Estado de Minas publicou uma reportagem intitulada “Nikolas: o favelado que se posiciona contra outros favelados trabalhadores”, na qual acusa o deputado mineiro de perversidade. Segundo a coluna, morando e congregando lá (na favela Cabana do Pai Tomás),  durante muitos anos, Nikolas Ferreira conhece a favela por dentro. Ele cresceu vendo trabalhadores saindo da favela antes do sol nascer para trabalhar e voltando em ônibus superlotados tarde da noite. Ele sabe que não é por falta de esforço e dedicação ao trabalho que grande parte dos favelados não conseguem prosperar e sim por falta de oportunidades e políticas públicas eficientes. Esse conhecimento da realidade deveria fazer com que o deputado se esforçasse para melhorar a vida da população mais pobre, mas faz exatamente o contrario. Leia Aqui

3-Atuação política

O deputado mineiro da Igreja Assembleia de Deus se anuncia com defensor de princípios cristãos focado na área de costumes.

Como tal,  defende temas como o direito à vida desde a concepção, a liberdade de expressão nas redes sociais, pautas na área de educação e segurança, como o direito à posse de armas. Foi dele a sugestão de medidas para facilitar a aquisição de armas e munições para o cidadão além de simplificar o registro e a posse de armas no território nacional.

Se diz um defensor da Educação e como tal propôs aumentar penas para quem praticar atos obscenos em escolas e universidades públicas. É autor da lei municipal que proíbe o uso de linguagem neutra nas escolas de Belo Horizonte.

Uma atuação digna de análise fria e racional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja também

'Departamento de Alta Testosterona': EUA querem monitorar os níveis hormonais de militares

‘Departamento de Alta Testosterona’: EUA querem monitorar os níveis hormonais de militares

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que militares americanos com 30 anos …