Desaprovação a Milei vai a 57% e maioria vê governo como risco para a sociedade, mostra pesquisa
Um novo levantamento da consultora Zuban Córdoba mostra que a imagem do presidente argentino Javier Milei segue em queda. Em julho, 56,8% dos entrevistados afirmaram desaprovar sua gestão — um aumento de 0,6 ponto percentual em relação a junho. Além disso, 55,4% consideram que o presidente representa um risco para a sociedade, enquanto apenas 37,8% ainda o veem como símbolo de mudança.
A pesquisa revela que o sentimento de punição ao governo é o principal motivador do voto para 52,8% dos argentinos, incluindo eleitores que votaram em Milei no primeiro turno de 2023. Entre os eleitores que declararam intenção de votar para punir Milei estão 17,1% dos que o apoiaram em 2023.
Outro dado significativo é o crescimento do sentimento “antimilei”, hoje compartilhado por 53,6% dos entrevistados.
Entre os principais motivos de rejeição estão a destruição do Estado (25,5%) e a crueldade percebida no modelo de gestão (25,4%).
Gestão libertária
Javier Milei conquistou votos como um outsider da política, autoproclamando-se ‘libertário’, que combateria a “casta”. Seduzida pela novidade barulhenta a maioria dos argentinos embarcou na aventura ultra neoliberal onde tudo gira em torno da oferta e da demanda. Acreditaram que o Estado era um mal a ser combatido e não deveria existir e ser substituído pelo setor privado. Embarcaram na esperança que o Estado mínimo defendido por Milei transformaria todos em milionários. Mal sabiam que o Estado mínimo se restringe apenas as Forças Armadas, segurança interna e a provisão da Justiça, sem educação, saúde, políticas sociais, que o atual presidente tenta implantar e que resultou numa catástrofe.
Enquanto vocifera que o Fórum de Davos está controlado pelos comunistas, 13.862 empresas fecharam as portas. A dívida pública da Argentina cresceu em mais de 90 bilhões de dólares em seu primeiro ano e meio de governo. Ao mesmo tempo em que o presidente Javier Milei aumentou seu patrimônio em 500%. E o Morgan Stanley Capital International (MSCI), avaliou negativamente a Argentina e equiparou seu nível de mercado ao do Zimbabwe e ao da Ucrânia. Abaixo do status de mercado emergente.
Leandro Morgenfeld, especialista em Relações Internacionais e professor da UBA, diz que a atual situação política, social e econômica da Argentina é muito diferente da suposta estabilidade defendida pela mídia hegemônica brasileira, que defende o governo de extrema direita de Javier Milei como um exemplo para a América Latina. Morgenfeld que é membro do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO), cita os ataques semanais da polícia contra os aposentados que protestam no país e o decreto presidencial que permite prisões sem mandado judicial.
Paralelo a isso, Milei fez um convênio com o governo de Israel para facilitar o ingresso de cidadãos israelenses na Argentina, ampliando políticas de proteção social aos israelenses que optem por morar na Argentina. Em maio de 2024, um decreto de Milei publicado no Boletín Oficial, o Diário Oficial deles, permite o acesso dos israelenses ao sistema de previdência e lhes garante benefícios sociais e econômicos. A medida gerou indignação entre os argentinos por destinar os poucos recursos para cidadãos de outros países. Milei então, anunciou que concederá status de nacional a todo israelense que queira ter acesso ao sistema previdenciário argentino. A partir dessa regulamentação qualquer israelense poderá ter acesso a pensões, aposentadoria e benefícios maternidade, incapacidade e outros previstos no sistema previdenciário argentino.
Ações de Milei
- Desistir oficialmente das Ilhas Malvinas em troca do apoio da Inglaterra para o ingresso da Argentina como novo membro da OTAN.
- Facilitar bases israelenses na Argentina e com isso atrair investimentos na área de cibersegurança atendendo aos interesses estadunidenses que consideram preocupantes as 15 bases que a Rússia e a China mantém em conjunto na Antártida. O Atlântico Sul é considerado ponto de partida para a Antártida.
- Privatização do sistema de abastecimento de água que está sendo vendido para uma estatal israelense.
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