Num intervalo de três horas, pessoas tiveram lucros milionários com tarifas impostas aos produtos brasileiros de exportação. AGU quer saber se o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro estava entre os que lucraram
A AGU- Advocacia Geral da União solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que operações financeiras suspeitas realizadas antes do anúncio de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil sejam investigadas no inquérito que apura a conduta do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
No documento a AGU aponta indícios de uso de informação privilegiada em operações de câmbio realizadas horas antes do chamado “tarifaço” anunciado por Donald Trump.
A suspeita é de que agentes do mercado financeiro tenham se beneficiado de informações sigilosas para obter lucros expressivos com a antecipação do impacto econômico das medidas.
A manifestação menciona ainda um parecer da PGR que aponta o uso de sanções comerciais como forma de pressionar o Judiciário brasileiro. “A implementação do aumento de tarifas tem como finalidade a criação de uma grave crise econômica no Brasil, para gerar uma pressão política e social no Poder Judiciário”, diz trecho citado no documento.
Cheiro podre no ar
A compra e venda de dólares no dia do anúncio do tarifaço de Trump ao Brasil dá sinais sobre uso de informações privilegiadas.
Às 13h30 do dia 9 de julho, três horas antes de Donald Trump publicar nas redes sociais o anúncio de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, alguém comprou de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões a R$ 5,46. Dois minutos depois do anúncio do tarifaço que foi feito às 16h17, vendeu a R$ 5,60 . Detalhe, as outras pessoas só começaram a comprar dólar e vender real depois anúncio- ou seja, três horas depois. Segundo analistas do sistema financeiro a operação rendeu cerca de 50% do investimento em três horas. Com isso a moeda estadunidense valorizou e passou dos R$ 5,58.
Ou seja, a transação feita no dia do anúncio das tarifas ao Brasil foi de alguém que sabia o que iria acontecer mais tarde. E mais: sabia o que fazer com a informação, como fazer a transação e a hora certa de desfazê-la.
A pergunta é: como uma pessoa poderia ter tanta certeza de que viria, naquela tarde, uma política econômica que desvalorizaria o real para fazer uma aposta tão grande? Só os órgãos reguladores e os grandes bancos têm essa resposta. Só eles podem responder quem foi a pessoa, ou as pessoas, que apostaram bilhões na desvalorização do real antes do anúncio oficial.
Transações financeiras com informação privilegiada é crime, por isso acendeu o alerta da oposição a Trump no Congresso. Parlamentares democratas afirmaram que pessoas próximas a Trump podiam estar usando informações privilegiadas para benefício próprio no mercado financeiro e pediram uma investigação.
A imprensa dos EUA relatou a preocupação dos deputados e senadores com essas possíveis operações ilegais.
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