Não vai vingar: sobretaxa de 50% a produtos do Brasil é insustentável para os Estados Unidos

Não vai vingar: sobretaxa de 50% a produtos do Brasil é insustentável para os Estados Unidos

Taxação de produtos brasileiros afetaria até o Breakfast (café da manhã) dos estadunidenses

Os Estados Unidos importam 41,7% do suco de laranja produzido no Brasil. O suco de laranja é tradicional no desjejum dos estadunidenses juntamente com os ovos- os EUA é o maior importador de ovos do Brasil. O Brasil também participa do café da manhã da população estadunidense, com o bacon, através da exportação de carne suína. Sem contar o café que os EUA não produzem. Os Estados Unidos compra 30% do café brasileiro que também é usado no breakfast e participa da economia estadunidense. Segundo dados do Departamento de Estatísticas dos EUA, para cada dólar gasto com a importação de café brasileiro, geram-se US$ 43 para a economia dos EUA. Isso representa 1,2% do PIB norte-americano, impulsiona 2,2 milhões de empregos e movimenta cerca de US$ 343 bilhões.

 A tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil pode se mostrar insustentável para a própria economia dos Estados Unidos.

Embora represente apenas 1% das importações totais americanas, o Brasil ocupa posições-chave em cadeias produtivas estratégicas e fornece insumos industriais de difícil substituição.

Entre os principais produtos afetados estão a celulose, usada na fabricação de papel, embalagens e fraldas, da qual o Brasil responde por 37% das importações americanas. Também se destacam o ferro-gusa e o aço, responsáveis por cerca de 20% das compras dos EUA, utilizados em carros, navios, latas e construção civil. Além disso, a Embraer coloca o Brasil entre os cinco maiores fornecedores de aeronaves e componentes para o mercado americano. Também

Mesmo setores em que os EUA possuem produção própria, como petróleo, seriam impactados. “Se fosse simples, já foi substituído o petróleo importado pelo doméstico”, afirmou ao Brasil 247 a diretora de Economia do Direito na consultoria LCA, Verônica Cardoso. Segundo ela, cerca de 5% do óleo consumido pelos EUA vem do Brasil.

Como a retaliação contra o Brasil poderá ter um alto preço — pago internamente pelos cidadãos dos EUA, Donald Trump com a popularidade em queda livre, deve recuar da intenção de sobretaxar os produtos brasileiros. O presidente dos Estados Unidos já recuou em  decisões similares.  Ele anunciou tarifas sobre eletrônicos como smartphones e computadores, mas voltou atrás após reação de empresas do setor de tecnologia, que produzem fora dos EUA e dependem de peças e componentes importados.

Eduardo Bolsonaro apoia e chama empresários brasileiros para os EUA

O advogado Felipe Rainato, especialista em comércio internacional, vê na medida uma tentativa de reforçar o discurso da reindustrialização americana, que conta com o apoio do deputado federal licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está morando nos Estados Unidos, fez um vídeo que publicou no X (antigo Twitter), convocando empresários brasileiros a investirem nos Estados Unidos. O parlamentar divulgou na rede social X um vídeo após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar tarifas de 50% contra as exportações brasileiras. “Realmente é um convite tentador”, disse Eduardo. “Nos Estados Unidos é mais fácil do ponto de vista tributário, tem mais benefícios, você exporta para praticamente o mundo inteiro, vai ter acordos de livre comércio com vários países”. Acesse ao vídeo de Eduardo Bolsonaro Aqui

Segundo a Revista Economia e Negócios, a coisa não é tão simples como Eduardo Bolsonaro faz parecer. Nos EUA, o sistema tributário progressivo torna difícil identificar um contribuinte “médio”. Suportes de imposto variam de 10% a 37% a partir de 2020, e há sete deles, por isso a taxa de imposto “médio” pode ser esperado para ser algo como 24,57%. Essa faixa de 24% se aplica apenas a rendas de $ 85.526 a $ 163.300, pelo menos para contribuintes individuais e não afeta um contribuinte solteiro que ganha US $ 35.000 por ano. Ele não vai pagar tanto. Ele está  na faixa de 12% de alíquota de imposto – mas apenas sobre sua renda acima de $ 9.875. Os primeiros $ 9.875 são tributados em apenas 10%.

Como diferentes períodos de renda são tributados com taxas diferentes, um único contribuinte que ganha $ 85.526 pagaria aquela taxa “média” de 24% sobre apenas um dólar de renda. Alguém ganhando $ 200.000 pagaria com $ 77.775 de renda – a diferença entre $ 85.525 e $ 163.300, então ele pagaria 32% sobre a parte de sua renda acima de $ 163.300.

Longe de ser o paraíso

Além disso o projeto de Trump aprovado em 01 de julho, que reduz impostos para os ricos, aumenta verba contra imigrantes e corta programas sociais como o Medicaid  que banca acesso à saúde para 17 milhões de pobres. Segundo a BBC, 40 milhões de estadunidenses vivem abaixo da linha oficial de pobreza. Condição que afeta 9 milhões de crianças.

O novo pacote de Trump representa a maior transferência de riqueza da classe trabalhadora para os obscenamente ricos na história dos EUA. Enquanto fecha hospitais e asilos para idosos; eleva impostos sobre rendimentos de fundos universitários; impede que imigrantes sem green card recebam créditos para planos de saúde; impõe regras mais rígidas para o crédito infantil — o que pode impactar 2 milhões de crianças; reduz em US$ 330 bilhões os empréstimos estudantis e corta programas de pagamento vinculados à renda dos estudantes, além de impor limites aos empréstimos para cursos de pós-graduação. Paralelo a isso, torna torna permanentes os cortes nos impostos sobre a renda individual e heranças; destina US$ 150 bilhões para a área de defesa, incluindo investimentos em construção naval e no sistema de defesa espacial “Golden Dome”; investimentos de US$ 175 bilhões na agenda anti-imigração que incluem o fortalecimento da fronteira no sul do país, à ampliação de patrulha e à construção de novas instalações além da contratação de mais 18 mil agentes para o ICE e para a agência de Aduanas e Controle Fronteiriço (CBP). Em resumo,  dezenas de bilhões a mais para ampliar o muro fronteiriço, bilhões dedicados a detenções e deportações, assim como ao aumento da militarização da fronteira com o México.

 

Imagem- MSN

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