Mistura explosiva do agro, facção criminosa, igreja e política entra na mira da Polícia Federal
A pecuarista Maribel Schmittz Golin, de 59 anos, uma das principais financiadoras da campanha eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo em 2022, está sendo investigada pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Maribel que doou R$ 500 mil à campanha do governador de SP, segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, é suspeita de movimentar R$ 1,4 bilhão em nome de esquema do tráfico internacional de drogas.
O nome de Maribel surgiu nas investigações da Operação Mafiusi, deflagrada pela PF no fim de 2024 para desarticular um esquema de envio de cocaína pelo porto de Paranaguá (PR) para a Europa, em parceria entre o PCC e a máfia italiana ’Ndrangheta. A PF cita a pecuarista em ao menos quatro transações com Willian Barile Agati, apontado como integrante da facção criminosa. Barile foi preso em janeiro e denunciado à Justiça Federal no Paraná por tráfico de drogas, associação para o tráfico, obstrução da Justiça e organização criminosa.
Segundo a investigação, Maribel possui quatro empresas, todas sem funcionários registrados, mas que movimentaram mais de R$ 1,4 bilhão entre 2020 e 2022 — fator que chamou a atenção dos investigadores.
O relatório policial também menciona o marido de Maribel, Joselito Golin, acusado de esquentar dinheiro dentro da igreja do pastor Valdemiro”, em referência à Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada por Valdemiro Santiago.
O casal faz parte do Grupo Golin, conglomerado do setor pecuário com atuação no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. O grupo ganhou notoriedade no passado ao adquirir as Fazendas Reunidas Boi Gordo, pouco antes da falência da empresa, que revelou um esquema de pirâmide financeira e causou prejuízos a milhares de investidores.
A movimentação bilionária de recursos por parte de Maribel ainda está sob análise, mas os investigadores apontam forte indício de relação com o tráfico internacional de entorpecentes.
Pastor Valedmiro Santiago
O líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago, ficou conhecido nacionalmente durante a pandemia de Covid-19 pela venda de feijões milagrosos que segundo ele tinham o poder de curar a covid e se manifestava contra o isolamento social no período criticando os trabalhadores que pararam de trabalhar chamando-os de preguiçosos.
Valdemiro é conhecido também pelos pedidos de dinheiro a seus fiéis. Ele traça metas de arrecadação como a registrada em um culto no qual pediu para que os frequentadores de seus cultos se unissem e ofertassem R$ 10 milhões à igreja. O pastor era proprietário de um jatinho particular e já foi capa da revista Isto É com a matéria Quadrilha de Pastores.
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