A estratégia é manter ondas de navegação de flotilhas humanitárias para Gaza; uma hora, alguém vai chegar
Segundo o jornal italiano La Repubblica, a nova frota com 11 navios partiu de Otranto e Catânia com a intenção de chegar à Faixa de Gaza com ajuda e suprimentos em três dias.
A nova frota é o resultado de um esforço conjunto de duas organizações. Uma delas é a Flotilha da Liberdade que tenta romper o bloqueio naval israelense desde 2009 e agora tenta novamente com dois miniveleiros, o Al Awda e o Ghassan Kanafani. A outra é a ThousandMadleen, mais jovem mas que cresceu graças a ativistas de todo o mundo. Ela tem 8 embarcações no mar, com destaque para o Conscience.
Segundo os tripulantes se o clima permitir, em pouco mais de 72 horas a nova frota poderá chegar à zona laranja, rumo à Gaza.
A reportagem do La Reppublica explica que nesta segunda onda inicialmente não está nenhum dos 45 barcos que partiram do porto de Arsuz na província turca de Hatay, na quinta-feira. Alguns destes barcos podem também estar a caminho de Gaza e em isso acontecendo, tanto podem se juntar a eles, ou formar uma terceira onda da flotilha.
Outros 5 barcos egípcios aguardam o desenrolar da burocracia para partir para Gaza, embora o governo do Egito possa estar dificultando com medo de uma retaliação de Israel, com o qual faz fronteira.
Em maio, um navio que estava a caminho de Gaza, sofreu um ataque de drones israelenses quando se encontrava na costa de Malta e teve o convés perfurado por uma bomba. Após meses de reparação, ele retorna ao caminho de Gaza com quase 100 médicos, enfermeiros e jornalistas de 25 países.
Entre eles está Riccardo Corradini, um cirugião de 32 anos, de Trentino, que trabalhou em Gaza em 2019 “correndo lado a lado com os colegas que agora são alvos. Mais de 1500 médicos foram assassinados em Gaza, segundo os últimos relatórios da ONU”, disse Corradini que conhecia alguns dos médicos eliminados por ataques de Israel à Gaza. Também conhecia as enfermarias e corredores dos hospitais que agora são apenas escombros. “Nada resta da Al Shifa. Onde havia torres inteiras agora resta apenas um andar”, diz Corradini com indignação e frustração.
“Gaza é o único lugar do mundo onde eu como médico não posso entrar para ajudar meus colegas que não só estão exaustos por trabalharem incansavelmente e sem recursos, mas também arriscam suas vidas todos os dias porque são mortos, presos e torturados. Isso significa negar cuidados e tratamento. Por isso é necessário abrir não só um corredor humanitário, mas um corredor humano. Vestiremos nossos jalecos. O risco de sermos interceptados e presos existe, sabemos disso. Todos sabem, mas vale a pena tentar novamente. Quando me formei fiz um juramento: defender a vida. Não consigo imaginar outra forma de fazer melhor”, conclui o médico.
Os tripulantes ficaram grudados em chats recebendo atualizações desde os primeiros ataques até as interceptações que a Flotilha Sumud Global sofreu.
Denúncia formal
Nesta sexta-feira, 03, governo brasileiro levou uma denúncia formal ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, contra Israel, por causa da interceptação da Flotilha Global Sumud em águas internacionais.
No documento, o embaixador Tovar da Silva Nunes reafirmou que a Flotilha era um comboio pacífico que transportava ajuda humanitária e destacou a liberdade de navegação em alto-mar como um direito internacional. A denúncia brasileira contou com o apoio de 70 países e 50 nações.
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