Devedor contumaz: a elite que saqueia o Estado e posa de empresariado sério

Devedor contumaz: a elite que saqueia o Estado e posa de empresariado sério

A megaoperação contra a Refit expõe como sonegadores bilionários que usam estruturas fraudulentas para drenar tributos, manipular mercados, enfraquecer o Estado e manter aparência de respeitabilidade empresarial

Nas últimas semanas, leitores têm me pedido para destrinchar o subterrâneo fiscal que sustenta os gigantes da sonegação. Não o sonegador eventual. Mas o predador tributário — o que lucra com o não pagamento como outros lucram com produção. Pois bem, antes tarde do que nunca, o país acordou hoje com uma demonstração de como funciona esse modelo de negócios que por décadas se alimentou de impunidade.

A Receita Federal, a PGFN, o Ministério Público e as polícias deflagraram uma megaoperação com 190 mandados de busca e apreensão contra o Grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. No centro do furacão está Ricardo Magro, apontado como o maior devedor contumaz do Brasil, acumulando R$ 26 bilhões em débitos tributários — valor confirmado por investigações e pela própria PGFN. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 10,2 bilhões em bens, entre imóveis, participações e veículos de luxo. É dinheiro que não volta para a sociedade porque foi transformado em ativo privado às custas do contribuinte.

Uma operação desse porte não nasce do nada. Ela surge porque o país finalmente começa a admitir o óbvio: existe uma elite da sonegação, organizada, tecnicamente preparada, com advogados sofisticados, dezenas de CNPJs descartáveis e o hábito de operar com “laranjas” como se fossem peças de um tabuleiro. Não se trata de erro. Trata-se de método.

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