Ao último dia 25 de Novembro (terça-feira), 10 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) foram detidos por suspeitas de tráfico humano e semiescravidão de imigrantes indianos, ocorridas em propriedades latifundiárias no bairro de Cabeça Gorda, na cidade de Beja, sul de Portugal. As detenções ocorreram no contexto da operação “Safra Justa”, realizada pela Polícia Judiciária (PJ), que cumpriu 50 mandados de busca no Alentejo, no Centro e no Norte do país.
De acordo com comunicado feito pela PJ, estes elementos reacionários pertencem a uma rede criminosa com ramificações conhecidas, para além de Beja, em Portalegre, Figueira da Foz e no Porto. Esta rede atua com a participação direta de latifundiários, empresas de trabalho temporário, guarda-costas e agentes da GNR e da PSP e, para além de tráfico humano e semiescravidão, possuem acusações de fraude fiscal e branqueamento de lavagem de dinheiro.
Os onze detidos eram pagos para atuar, fardados, como capangas em uma das propriedades latifundiárias, vigiando os camponeses sequestrados pela rede e impedindo fugas e denúncias, além de garantindo as atividades dos latifundiários e empresas envolvidas. Os camponeses resgatados viviam em condições desumanas, que passam por alocação em dormitórios totalmente insalubres, trabalho quase gratuito e sem descanso, ameaças de deportação e agressões físicas, em um típico regime de trabalho e produção semifeudal.
Prática recorrente
Em 2019, sete militares da GNR foram detidos pela PJ por sequestrarem, torturarem, humilharem e roubarem imigrantes, também camponeses, na Vila Nova de Milfontes, em Odemira. Os crimes aconteceram em um período de aproximadamente um ano. Um dos militares registava todas as ações em seu celular. Mesmo com a condenação, um dos agentes continuou a atuar na GNR por pelo menos quatro anos.
Em 2021, Odair Moniz, trabalhador natural de Cabo Verde, foi assassinado com dois tiros por um agente da PSP na Amadora, em Lisboa, que geraram enormes protestos populares e ações armadas contra a PSP na Área Metropolitana da capital.
Recentemente, um agente da PSP repreendeu as denúncias de racismo feitas pela mãe do menino José Lucas, brasileiro, que teve parte de seus dedos amputadas numa escola em Cinfães, em Viseu). Este elemento, a bater na mesa, afirmava de forma veemente que não toleraria que ela sugerisse que Portugal é um país racista ou xenófobo, a reduzir a gravidade da denúncia. Com informações de A Nova Democracia
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