Depois de perder apoio de muitos que votaram nele em 2024, o presidente Donald Trump anunciou que tropas federais do ICE e da Polícia de Fronteira não vão participar do acompanhamento a protestos em Minneapolis ou qualquer outra cidade governada por prefeitos democratas.
Em postagem em sua rede social, disse que os agentes vão proteger prédios federais de “lunáticos, agitadores e insurrecionistas”.
A decisão marca uma reviravolta política, depois que pesquisas mostraram Trump perdendo apoio mesmo entre eleitores republicanos por causa de sua política agressiva contra imigrantes e ativistas pró-imigrantes.
Uma pesquisa do Pew Research Center, divulgada em 31 de janeiro, mostra o presidente com apenas 37% de aprovação.
A porcentagem daqueles que aprovam o receituário de Trump para lidar com os problemas dos Estados Unidos caiu de 35% para 27% em um ano.
De acordo com a pesquisa, 67% dos republicanos apoiavam a maioria dos projetos de Trump em 2025, número que agora caiu para 56%.
Trump chegou a ameaçar empresas de pesquisa depois que o New York Times publicou o resultado de um levantamento do Siena mostrando que 64% dos entrevistados não aprovam como o presidente está lidando com a questão do “custo de vida”.
Violência rejeitada
Na questão central para a plataforma do MAGA, a da imigração, Trump é desaprovado por 58% a 40%, segundo o levantamento publicado pelo Times.
Trump enfrentará em novembro uma eleição de meio de mandato, quando serão renovadas todas as cadeiras da Câmera e 35 das 100 do Senado.
Depois dos assassinatos em Minneapolis, uma onda de indignação tomou conta do país.
Os agentes do ICE e da Polícia de Fronteira são subordinados ao Departamento de Segurança da Pátria.
Só em 2026, agentes de imigração já dispararam 13 vezes nas ações de busca e apreensão.
Em setembro de 2025, em Chicago, um agente do ICE matou o cozinheiro mexicano Silverio Villegas González, de 38 anos, alegadamente porque ele tentou fugir de um bloqueio policial.
Silverio deu ré no automóvel ao ser parado. A autópsia mostrou que um projétil perfurou por trás o pescoço do mexicano e se alojou no peito.
O ICE sugeriu inicialmente que o imigrante sem documentos havia atropelado e ferido gravemente um agente, mas o próprio agente desmentiu isso: “Nada sério”.
40 mortos
Ativistas que fazem campanha contra o ICE sustentam que 40 pessoas morreram desde o início de 2025, como resultado de ações da polícia de imigração.
Alex Pretti, cidadão estadunidense morto com tiros a queima-roupa quando estava ajoelhado no chão, de costas, teria sido o George Floyd branco.
Floyd foi morto também em Minneapolis por um policial local que o esganou colocando o joelho sobre o pescoço, em 2020.
A bola da vez é o menino Liam Ramos, de 5 anos de idade, “detido” pelo ICE em Minneapolis numa ação que visava o pai dele, um imigrante do Equador.
A polícia de Trump diz que não prendeu o menino. Alega que o pai tentou fugir e não havia outro recurso para evitar que a criança morresse de frio.
Uma integrante do conselho da escola onde Liam estudava, Mary Granlund, disse que tentou ficar com o menino, mas foi impedida. Hoje, Liam está com o pai num centro de detenção do Texas.
O descompasso entre as versões oficiais apresentadas pelos agentes do governo Trump e os vídeos e testemunhos das ações sugerem uma tentativa de prender ou matar e depois ‘desmoralizar’ as vítimas usando as redes sociais. Opositores de Trump dizem que é a tática de “matar e difamar”. As informações são da Fórum
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