Economia da atenção, guerra e o cansaço de existir

Economia da atenção, guerra e o cansaço de existir

 

Em um mundo saturado de notificações, um manifesto internacional propõe recuperar o que as Big Techs transformaram em mercadoria: a nossa atenção

Há dias em que o mundo parece grande demais para caber na cabeça. Acordo, abro o celular e antes mesmo de escovar os dentes já estou atravessando uma sequência de alertas: bombardeios em Gaza, em Dubai tensões militares que crescem no Oriente Médio, vídeos curtos, opiniões instantâneas, notificações que insistem em lembrar que há sempre algo mais urgente do que aquilo que estou fazendo.

A banda Eva que nos prometeu um fim mais caloroso e gostoso e, na verdade, o fim da aventura humana na terra é sobreviver ao dia a dia no mar de informações picotadas, mal recortadas, a autoverdade e as deepfake ditando o que vamos acreditar. O Big Brother Brasil é quase um refúgio, confesso. O dia mal começou e eu já estou cansada.

Essa sensação difusa de esgotamento não é individual. Ela é estrutural.

É também o ponto de partida de “Attensity! – A Manifesto of the Attention Liberation Movement”, livro organizado por Peter Schmidt e pelo coletivo Friends of Attention, que chega aos Estados Unidos propondo algo que soa quase revolucionário em 2026: recuperar a capacidade humana de prestar atenção. O livro parte de uma metáfora poderosa.

Por Jessica Balbino

 

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