O movimento Red Pill precisa ser criminalizado com urgência

O movimento Red Pill precisa ser criminalizado com urgência

Agressores de mulheres precisam resgatar a sua masculinidade na cadeia

Andrew Tate é um empresário e ex-lutador de kickboxer que ficou conhecido na internet como o rei da masculinidade tóxica. Autodenominado misógino, ele coleciona uma série de polêmicas e crimes relacionados à violência contra a mulher, incluindo acusações de estupros e exploração sexual. Ícone da cultura Red Pill, seus “ensinamentos” defendem que a mulher pertence ao homem como uma propriedade, e sua existência deve se restringir a manutenção do lar e a satisfação pessoal e sexual do marido. Identificado com a extrema-direita, e incensado por conservadores estadunidenses como Tucker Carlson e Candace Owens, que já defenderam publicamente a sua “visão tradicional” de masculinidade, Tate influencia jovens de todo mundo através das redes sociais, sendo reconhecido como um grande macho alfa na guerra cultural de gênero.

É de autoria de Tate, a frase estampada na camisa de um dos jovens acusados de participação no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro. A frase “Regret nothing”, que significa “Não se arrependa de nada”, evidencia o potencial criminoso do movimento Red Pill em sua dinâmica discursiva, quando um homem preso sob acusação de organizar um estupro coletivo dentro de seu apartamento, comparece à delegacia e se permite filmar pelas câmeras de televisão trajando uma blusa com o lema de tal movimento. Vitor Hugo Oliveira Simonin, o jovem suspeito de estupro em questão, quis esfregar na cara da sociedade, sobretudo, das mulheres, a masculinidade tóxica e criminosa absorvida na ideologia Red Pill. A ideia de que homem que é homem não se arrepende do que faz, mesmo que ele tenha cometido um crime, é o puro suco da deturpação de caráter sob a égide da “macheza” e da honra. Algo que precisa ser criminalizado diante do aumento alarmante dos casos de feminicídio no país.

Por Ricardo Nêggo Tom

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