Acusado de jogar mulher do 10º andar recebeu R$ 12 milhões de ONG ligada a filme de Bolsonaro

Acusado de jogar mulher do 10º andar recebeu R$ 12 milhões de ONG ligada a filme de Bolsonaro

Alex Leandro Bispo dos Santos, preso sob acusação de espancar a companheira e jogá-la do 10º andar de um prédio na zona sul de São Paulo, recebeu R$ 12 milhões de uma ONG ligada à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

O caso, ocorrido em dezembro, conecta um crime investigado como feminicídio a uma rede de contratos públicos e recursos milionários associados ao longa bolsonarista. Nesta semana, explodiu o escândalo dos áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcardo para a película.

Imagens de câmeras de segurança mostravam Alex agredindo Maria Katiane Gomes da Silva no estacionamento e dentro do elevador do edifício onde moravam. Pouco depois, a jovem de 26 anos caiu da janela do 10º andar e morreu. O caso é investigado pela 89ª Delegacia de Polícia como feminicídio. Segundo a investigação, Alex já havia cumprido pena anteriormente pelo sequestro de um sobrinho do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT).

Os R$ 12 milhões recebidos por Alex vieram de contratos firmados entre sua empresa, Favela Conectada, e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora executiva de “Dark Horse” e sócia da Go Up Entertainment. Documentos obtidos pelo Intercept Brasil mostram as assinaturas de Alex, da própria Maria Katiane como testemunha e de Karina nos contratos.

O ICB recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para instalar e manter pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades carentes da capital. Segundo o Tribunal de Contas do Município, o edital apresentava ao menos 20 irregularidades, incluindo critérios genéricos para contratação da ONG.

Apesar da narrativa bolsonarista de que “Dark Horse” não utilizou dinheiro público, a rede ligada à produção do filme acabou conectada a contratos milionários financiados pela Prefeitura de São Paulo e a emendas do deputado federal Mário Frias, produtor da coisa.

A pedido de Flávio, Vorcaro desembolsou pelo menos R$ 61 milhões para o projeto por meio do fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado mora lá. O valor total negociado teria chegado a R$ 134 milhões.

Enquanto isso, a ONG presidida por Karina Ferreira recebia pagamentos milionários da prefeitura para o programa de internet comunitária. O contrato previa 5 mil pontos de Wi-Fi, mas apenas 3,2 mil haviam sido instalados até junho de 2025. Ainda assim, segundo o Intercept, a gestão Ricardo Nunes aceitou pagar R$ 26 milhões pela manutenção de equipamentos que sequer existiam.

A empresa Favela Conectada, de Alex Bispo, foi terceirizada pelo ICB para executar parte da manutenção. O contrato previa pagamentos de R$ 712 mensais por ponto de internet. Em um dos casos citados na prestação de contas, a empresa recebeu 12 mensalidades por equipamentos instalados poucos meses antes do encerramento do contrato.

Documentos também mostram inconsistências nos registros apresentados. Apesar do acordo milionário, a assinatura do contratado aparecia apenas como “Alex” e com CPF parcialmente ocultado. O endereço da Favela Conectada funcionava no mesmo prédio de um escritório cujo aluguel era pago pelo próprio ICB com recursos do contrato público. Até o cheque caução do imóvel entrou na prestação de contas enviada à prefeitura. As informações são do DCM

Veja também

Independência do Brasil foi resultado de processo iniciado anos antes de 1822

Independência do Brasil foi resultado de processo iniciado anos antes de 1822

Transferência da corte portuguesa, Dia do Fico e guerras regionais antecederam e sucederam o Grito …