Caos no Congo: pacientes fogem e hospitais são atacados durante surto de Ebola

Caos no Congo: pacientes fogem e hospitais são atacados durante surto de Ebola

Pacientes com Ebola fugiram e unidades de saúde foram atacadas na província de Ituri, na República Democrática do Congo, enquanto a epidemia causada pelo vírus Bundibugyo se espalha rapidamente. Ao menos três incidentes ocorreram na região nordeste, incluindo dois ataques no último fim de semana ao Mongbwalu General Referral Hospital, que permitiram a fuga de mais de duas dezenas de pacientes, segundo o diretor médico Richard Lokodu.

“Há negação da doença entre a população, com alguns querendo reivindicar os corpos de casos suspeitos ou confirmados”, disse Lokodu. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto da rara cepa Bundibugyo como emergência de saúde pública de preocupação internacional. Até domingo, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus informou que houve mais de 900 casos suspeitos, incluindo 101 confirmados, e 220 mortes suspeitas. A detecção tardia de casos deixou os profissionais de saúde “correndo atrás” da resposta.

No hospital Mongbwalu, 18 pacientes fugiram após “indivíduos não identificados” incendiarem tendas de isolamento montadas pela Médicos Sem Fronteiras (MSF). Durante o segundo ataque, outro paciente em estado crítico morreu ao tentar escapar do hospital. Os atacantes buscavam a liberação dos corpos para enterros realizados sem proteção, prática que aumenta a transmissão do vírus.

Ataques contra centros de tratamento de Ebola não são novidade na região. Entre 2018 e 2020, a violência atingiu hospitais no leste do Congo, matando mais de 25 profissionais de saúde. Parte dos ataques foi motivada por insatisfação da população com a impossibilidade de enterrar familiares ou pela crença de que o surto era falso. Milícias também exploraram o surto para ganhos políticos e financeiros.

O surto atual teve origem em Ituri e se espalhou para as províncias de Norte e Sul Kivu, incluindo áreas sob controle dos rebeldes M23 apoiados por Ruanda, e se estendeu à vizinha Uganda, que nesta segunda confirmou dois novos casos, elevando o total no país para sete.

A combinação de violência, fuga de pacientes e enterros inseguros representa um desafio crítico para conter a epidemia. A OMS alerta que a manipulação de corpos infectados é um dos principais fatores de transmissão e reforça a necessidade de medidas de contenção imediatas e monitoramento rigoroso da população e das áreas afetadas. Com informações do DCM

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