Oposição pede explicações a Milei sobre envio de aviões militares para Bolívia em meio a protestos. Parlamentares questionam se aeronaves C-130 Hércules transportavam ‘material para reprimir’ mobilizações; oposição boliviana denunciou que não se tratava de ajuda humanitária
Com a popularidade em queda por causa da corrupção e pobreza, o presidente de extrema direita Javier Milei, viu mais de 1 milhão de pessoas marcharem pelas ruas em todas as províncias exigindo que ele cumpra a lei e contra a falta de rumo do governo. Cada vez mais jovens argentinos estão vindo estudar no Brasil porque Milei congelou verbas das universidades e salários dos professores universitários. Além disso, quem se forma não tem onde trabalhar. 24.180 empresas quebraram durante o governo Milei.
Mesmo com todos os problemas internos, Milei enviou dois aviões militares C-130 Hércules, arcando com todos os custos, para auxiliar o presidente de extrema direita da Bolívia, Rodrigo Paz.
Deputados argentinos do bloco peronista União pela Pátria — entre eles German Martinez, chefe do bloco, e Cecilia Moreau, primeira vice-presidente da Câmara dos Deputados — apresentaram um pedido de informações ao governo argentino na segunda-feira (18/05), após o envio das aeronaves militares para a Bolívia em meio à repressão aos protestos populares.
“Enviamos um pedido de informações ao governo Milei a respeito do envio de duas aeronaves militares C-130 Hercules para a Bolívia, em meio à repressão da grande rebelião popular contra o governo de Paz Pereira”, declarou o deputado Juan Marino.
Marino argumentou que o deputado da oposição boliviana Rolando Pacheco (Aliança Popular) denunciou publicamente ontem que os aviões Hércules argentinos não estavam transportando ajuda humanitária, mas sim material para reprimir as mobilizações.
Ele também mencionou que a repressão do governo boliviano deixou pessoas mortas pelas forças de segurança, dezenas de feridos e “alguns com ferimentos a bala que causaram perda de visão”. Pelo menos 47 pessoas foram detidas, segundo dados fornecidos pela Defensoria Pública da Bolívia em 16 de maio.
O projeto proposto exige que o Executivo argentino apresente um relatório sobre a carga transportada, o pessoal a bordo, os acordos militares com a Bolívia e a participação na operação Escudo das Américas, presidida por Donald Trump.
“É essencial que o Congresso tenha garantias de que esta operação não será usada para reprimir o povo boliviano. A mera palavra do governo argentino, após o precedente de 2019, não basta”, afirmou o congressista.
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