Falta de neve adia a abertura de estações de esqui nos Andes, provoca cancelamentos, gera prejuízos milionários e acende um alerta para o futuro do turismo
A imagem clássica das montanhas cobertas de branco, turistas deslizando pelas pistas e hotéis lotados começa a dar lugar a um cenário de incertezas. As mudanças climáticas já não representam uma ameaça distante: elas já estão alterando o calendário do inverno e colocando em xeque a economia de destinos que dependem da neve para sobreviver.
No Chile, um dos principais destinos de neve da América do Sul, as tradicionais estações de esqui de Portillo e Valle Nevado precisaram adiar o início da temporada de 2026 devido à escassez de neve provocada pelas condições climáticas. Sem volume suficiente para garantir segurança e qualidade nas pistas, os empreendimentos passaram a orientar turistas a acompanhar as atualizações sobre a abertura da temporada, ainda sem uma data definitiva.
O impacto vai muito além das montanhas. Hotéis, restaurantes, locadoras de equipamentos, escolas de esqui, guias de turismo e companhias aéreas sentem os reflexos de uma temporada que começa mais tarde — quando começa. Em muitos casos, o prejuízo financeiro é milionário, justamente porque o inverno concentra a maior parte do faturamento anual dessas regiões.
Do outro lado estão os turistas. Famílias que planejam férias durante meses, compram passagens, reservam hospedagens e organizam toda a viagem acabam enfrentando cancelamentos, remarcações e custos extras. Para muitos, a experiência tão aguardada simplesmente deixa de acontecer.
A tentativa de minimizar os impactos com neve artificial também encontra limites. Além do alto custo de operação, os equipamentos dependem de temperaturas suficientemente baixas para funcionar, condição que também vem sendo comprometida pelo aumento da temperatura média do planeta.
Cancelamento de viagem para jornalistas evidencia a gravidade da situação
Os efeitos da falta de neve atingiram até mesmo ações de promoção internacional do turismo chileno. Em comunicado enviado aos jornalistas convidados, a LATAM Airlines Brasil e a Federação de Empresas de Turismo do Chile (Fedetur) anunciaram o cancelamento de uma press trip, no dia 27 de junho, que apresentaria os principais destinos de inverno do país.
“As condições climáticas registradas na região impactaram a formação de neve e adiaram a abertura dos resorts parceiros previstos no roteiro. Além disso, os empreendimentos ainda não têm uma nova data de abertura confirmada, o que inviabiliza a realização da viagem neste momento.”
Na mesma nota, as entidades explicam que a proposta era oferecer uma experiência completa do turismo de neve, algo impossível diante da realidade encontrada nas montanhas.
“Sabemos que essa experiência foi pensada para proporcionar uma imersão autêntica no turismo de neve e entendemos que, neste momento, não conseguiríamos entregar a vivência que planejamos para o grupo. Trata-se de uma situação totalmente fora do controle da LATAM e da Fedetur.”
As instituições informaram ainda que pretendem realizar uma nova edição da viagem em 2027, caso as condições climáticas permitam.
Um alerta para o turismo mundial
O adiamento da temporada em Portillo e Valle Nevado não representa um episódio isolado. Diversos destinos de inverno ao redor do mundo vêm registrando temporadas mais curtas, menor volume de neve e custos cada vez maiores para manter as atividades.
O que antes era considerado um evento excepcional começa a se tornar rotina. E isso transforma profundamente a forma como o turismo de inverno é planejado. Sem neve, não há pistas. Sem pistas, os turistas deixam de viajar. E sem turistas, cidades inteiras que vivem do inverno enfrentam uma realidade cada vez mais preocupante. Com informações do Estado de Minas
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