Candidato de extrema direita
Iván Cepeda, senador de 63 anos e aliado do atual presidente Gustavo Petro (que não pode se reeleger), defende a continuidade dos programas sociais e das políticas voltadas para os mais pobres. Já Abelardo de la Espriella advogado milionário de 47 anos com discurso antissistema, representa a extrema direita.
Como Milei, la Espriella se apresenta como um “outsider”, um empresário bem-sucedido e independente. Sua campanha, segundo ele, é financiada pelos lucros de suas dezenas de empresas em setores como imobiliário, comércio de alimentos, bebidas, roupas e pecuária, além de sua firma de advocacia, De la Espriella Lawyers. Ele afirma receber ameaças de morte frequentemente, o que justifica a presença de pelo menos 35 seguranças em cada evento, além de um forte esquema policial.
A campanha dele foi centrada na promessa de uma “mão de ferro” contra o crime, a ilegalidade, o narcotráfico e a corrupção, problemas que ele identifica como os principais desafios da Colômbia, ecoando discursos autoritários que ganham força na região.
O candidato não esconde sua admiração pelas gestões de Nayib Bukele em El Salvador, Javier Milei na Argentina e Donald Trump nos EUA, líderes que representam a nova onda da direita radical global. Esse alinhamento ideológico é reforçado pelo apoio explícito de figuras como Flávio Bolsonaro.
De la Espriella rejeita governar “com os de sempre”, uma frase comum para se referir à elite política tradicional que dominou o país até a chegada de Gustavo Petro à presidência em 2022. Com seu movimento, “Defensores da Pátria”, ele aspira a canalizar o mal-estar dos colombianos que veem na velha guarda política a origem de muitos desafios.
De la Espriella, de 47 anos, é carismático e utiliza um discurso incisivo, apelando ao espetáculo e fazendo declarações categóricas e provocativas. Ele mora em Miami e muitos integrantes do Partido Republicano apostaram na candidatura dele, um advogado que construiu parte de sua fortuna atuando na defesa de figuras ligadas ao narcotráfico e ao paramilitarismo colombiano, alguns deles investigados ou processados pela Justiça dos Estados Unidos.
Segundo o jornalista Kiko Nigueira, o senador republicano Bernie Moreno, do estado de Ohio, visitou a Colômbia em meio à disputa eleitoral. Setores do governo Donald Trump passaram a enxergar em De la Espriella uma alternativa mais viável para retomar a influência de Washington sobre Bogotá.
A relação estratégica entre Estados Unidos e Colômbia sofreu mudanças significativas após a chegada de Gustavo Petro à Presidência, em 2022. O primeiro presidente de esquerda da história do país adotou uma política externa mais autônoma e passou a estabelecer limites à influência de Washington em temas de segurança e política regional.
Uma eventual vitória de De la Espriella é vista por setores progressistas como uma oportunidade para que Washington recupere parte da influência perdida. Críticos do candidato avaliam que isso poderia aproximar a Colômbia do modelo de alinhamento adotado por governos de extrema-direita da região, ampliando o peso dos Estados Unidos sobre decisões de política interna e segurança.
Ele chamou a esquerda de “inimiga da república” e, como Bukele em El Salvador, diz que pretende construir megacárceres. Também planeja “eliminar” narcotraficantes, dissidências guerrilheiras e outros grupos armados, anunciando que fumigará hectares de coca, bombardeará acampamentos “narcoterroristas” e abaterá qualquer avião ou embarcação com drogas que saia da Colômbia, pedindo ajuda aos Estados Unidos, Europa e Israel.
O pacote é completo. Combinando sua postura de homem forte com a valorização da família tradicional e do cristianismo, De la Espriella também promete ser implacável contra a corrupção e incentivar o crescimento da economia com a exploração de hidrocarbonetos e minerais, liberdades tributárias, ajustes fiscais e severos cortes estatais. Para isso, ele declarou que usará “a motosserra”, assim como Milei na Argentina.
Candidato de esquerda
O líder de esquerda, Iván Cepeda, que busca dar continuidade às políticas do presidente Gustavo Petro obteve 40% dos votos, e vai para o 2º turno em 21 de junho contra a extrema direita. Cepeda representa a continuação do governo Gustavo Petro.
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