Colômbia terá 2º turno com candidato de esquerda contra extrema direita

Colômbia terá 2º turno com candidato de esquerda contra extrema direita

Candidato de extrema direita

Iván Cepeda, senador de 63 anos e aliado do atual presidente Gustavo Petro (que não pode se reeleger), defende a continuidade dos programas sociais e das políticas voltadas para os mais pobres. Já Abelardo de la Espriella advogado milionário de 47 anos com discurso antissistema, representa a extrema direita.

Abelardo de la Espriella, também conhecido por Milei colombiano, obteve mais de 10 milhões de votos, 43% dos votos, garantindo sua vaga no segundo turno.

Como Milei, la Espriella se apresenta como um  “outsider”, um empresário bem-sucedido e independente. Sua campanha, segundo ele, é financiada pelos lucros de suas dezenas de empresas em setores como imobiliário, comércio de alimentos, bebidas, roupas e pecuária, além de sua firma de advocacia, De la Espriella Lawyers. Ele afirma receber ameaças de morte frequentemente, o que justifica a presença de pelo menos 35 seguranças em cada evento, além de um forte esquema policial.

A campanha dele foi centrada na promessa de uma “mão de ferro” contra o crime, a ilegalidade, o narcotráfico e a corrupção, problemas que ele identifica como os principais desafios da Colômbia, ecoando discursos autoritários que ganham força na região.

O candidato não esconde sua admiração pelas gestões de Nayib Bukele em El Salvador, Javier Milei na Argentina e Donald Trump nos EUA, líderes que representam a nova onda da direita radical global. Esse alinhamento ideológico é reforçado pelo apoio explícito de figuras como Flávio Bolsonaro.

De la Espriella rejeita governar “com os de sempre”, uma frase comum para se referir à elite política tradicional que dominou o país até a chegada de Gustavo Petro à presidência em 2022. Com seu movimento, “Defensores da Pátria”, ele aspira a canalizar o mal-estar dos colombianos que veem na velha guarda política a origem de muitos desafios.

De la Espriella, de 47 anos, é carismático e utiliza um discurso incisivo, apelando ao espetáculo e fazendo declarações categóricas e provocativas. Ele mora em Miami e muitos integrantes do Partido Republicano apostaram na candidatura dele, um advogado que construiu parte de sua fortuna atuando na defesa de figuras ligadas ao narcotráfico e ao paramilitarismo colombiano, alguns deles investigados ou processados pela Justiça dos Estados Unidos.

Segundo o jornalista Kiko Nigueira, o senador republicano Bernie Moreno, do estado de Ohio, visitou a Colômbia em meio à disputa eleitoral. Setores do governo Donald Trump passaram a enxergar em De la Espriella uma alternativa mais viável para retomar a influência de Washington sobre Bogotá.

A relação estratégica entre Estados Unidos e Colômbia sofreu mudanças significativas após a chegada de Gustavo Petro à Presidência, em 2022. O primeiro presidente de esquerda da história do país adotou uma política externa mais autônoma e passou a estabelecer limites à influência de Washington em temas de segurança e política regional.

Uma eventual vitória de De la Espriella é vista por setores progressistas como uma oportunidade para que Washington recupere parte da influência perdida. Críticos do candidato avaliam que isso poderia aproximar a Colômbia do modelo de alinhamento adotado por governos de extrema-direita da região, ampliando o peso dos Estados Unidos sobre decisões de política interna e segurança.

Ele chamou a esquerda de “inimiga da república” e, como Bukele em El Salvador, diz que pretende construir megacárceres. Também planeja “eliminar” narcotraficantes, dissidências guerrilheiras e outros grupos armados, anunciando que fumigará hectares de coca, bombardeará acampamentos “narcoterroristas” e abaterá qualquer avião ou embarcação com drogas que saia da Colômbia, pedindo ajuda aos Estados Unidos, Europa e Israel.

O pacote é completo. Combinando sua postura de homem forte com a valorização da família tradicional e do cristianismo, De la Espriella também promete ser implacável contra a corrupção e incentivar o crescimento da economia com a exploração de hidrocarbonetos e minerais, liberdades tributárias, ajustes fiscais e severos cortes estatais. Para isso, ele declarou que usará “a motosserra”, assim como Milei na Argentina.

Candidato de esquerda

O líder de esquerda,  Iván Cepeda, que busca dar continuidade às políticas do presidente Gustavo Petro obteve 40% dos votos, e vai para o 2º turno em 21 de junho contra a extrema direita. Cepeda representa a continuação do governo Gustavo Petro.

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