TSE cria cartilha de uso responsável da inteligência artificial nas eleições de 2026

TSE cria cartilha de uso responsável da inteligência artificial nas eleições de 2026

Publicação será um guia prático com rotulagem obrigatória e regras para barrar desinformação

 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia nesta segunda-feira (3) a formalização de um acordo de cooperação institucional com o Observatório da Democracia, vinculado à Advocacia-Geral da União (AGU), focado em estabelecer diretrizes para o uso de inteligência artificial (IA) durante as eleições. A iniciativa prevê a confecção e divulgação, prevista ainda para este mês, de uma cartilha prática que orientará órgãos públicos, partidos políticos, candidatos e plataformas digitais sobre a utilização responsável das tecnologias no pleito de 2026, segundo o jornal O Globo.

O termo de cooperação engloba ações coordenadas de pesquisa, capacitação e intercâmbio institucional, promovendo seminários, eventos e cursos voltados à integridade da informação e à preservação do processo eleitoral. A articulação é conduzida em conjunto pela Escola Superior da Advocacia-Geral da União (Esagu) e pela Escola Judiciária Eleitoral do TSE (EJE/TSE).

A futura cartilha tem como prioridade detalhar diretrizes práticas de uso, exigindo, por exemplo, a sinalização visível e explícita sobre a aplicação de conteúdo sintético, de modo que o eleitor possa identificar claramente quando determinado material foi gerado ou alterado por meio de IA.

O documento também incluirá alertas abrangentes sobre o risco da disseminação de notícias falsas e a atuação coordenada das chamadas milícias digitais — grupos organizados que operam ferramentas tecnológicas para atacar instituições e manipular a opinião pública. Para mitigar esses impactos, o material vai centralizar os canais oficiais para recebimento de denúncias, como as plataformas digitais do TSE, o aplicativo Pardal, as instâncias do Ministério Público Eleitoral e Federal e a organização SaferNet Brasil.

A iniciativa aproveitará a base conceitual elaborada pela AGU no primeiro semestre do ano. Entre as recomendações centrais já mapeadas no material está a proibição expressa do uso de deepfakes envolvendo candidatos ou autoridades. A norma estabelece uma vedação estrita à manipulação digital de imagens e vozes, alcançando inclusive a simulação de personalidades falecidas ou figuras fictícias.

A resolução em vigor do TSE impede o uso de ferramentas sintéticas com a finalidade de enganar os eleitores ou propagar propaganda negativa. No entanto, a repercussão da chamada “deepfake do bem” — quando a tecnologia emula voz e imagem para fins publicitários do próprio candidato, sem ataques diretos a adversários — dividiu os ministros do tribunal e deve forçar a formulação de uma nova interpretação e pacificação de entendimentos para a disputa eleitoral.

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