Dois homens presos por uma chacina que deixou três mortos em Lábrea, no sul do Amazonas, apontaram integrantes da família Coelho Diniz como mandantes do crime, segundo a Folha de S.Paulo. O ataque ocorreu em 25 de abril, em uma área marcada por conflitos fundiários, e matou Josias Albuquerque de Oliveira, 45 anos, Antonio Renato Vieira de Souza, 32, e um adolescente de 14 anos.
Segundo depoimentos prestados à polícia, Lucas Pessoa dos Santos, de 26 anos, e Edenilson Silva dos Santos, de 34, confessaram participação no crime e afirmaram ter agido a mando de pessoas ligadas à família empresária mineira.
Lucas, que trabalhava em propriedades rurais da família na região, declarou que recebeu ordens de Moisés Diniz, filho do empresário Alex Sandro Coelho Diniz. Ao ser questionado sobre quem teria determinado o ataque, respondeu: “O Moisés”. Ao ser perguntado novamente sobre a identidade do mandante, reforçou: “Moisés Diniz”.
O suspeito afirmou que havia sido encarregado de proteger terras e rebanhos contra invasores e alegou ter sofrido ameaças de familiares de duas das vítimas. Durante audiência de custódia realizada no dia seguinte, mudou sua versão e declarou que teria sido pressionado por policiais a citar um mandante. A retratação ocorreu após orientação de seu advogado.
Moisés negou qualquer envolvimento no caso. “Desconheço esse assunto, não tenho conhecimento de algum conflito que me envolva”, afirmou. Em nota assinada por seu advogado, ele declarou que “nega veementemente qualquer participação” e que não é investigado nem responde a ações relacionadas a conflitos agrários.
A investigação também identificou conexões entre os suspeitos e propriedades ligadas à família. A motocicleta utilizada no crime estava registrada em nome de um administrador de empresa agropecuária vinculada a Moisés Diniz. A polícia ainda apura a possível participação de mandantes em um inquérito separado, aberto especificamente para essa finalidade.
De acordo com o inquérito, os executores permaneceram escondidos por horas à espera das vítimas e utilizaram fuzil AR-15 e pistolas para atacar o veículo em que elas viajavam. O carro caiu em um rio após os disparos. Um sobrevivente relatou que o adolescente tentou escapar nadando e chegou a pedir socorro antes de ser atingido pelos tiros.
A região onde ocorreu a chacina registra disputas por terras há anos e acumula histórico de violência. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, mais de 20 pessoas foram assassinadas na área desde 2017.
A mãe do adolescente morto lamentou a perda do filho. “Ele era a coisa mais importante que eu tinha na minha vida, e fizeram essa crueldade. Por que fizeram essa crueldade com meu filho? Ele não tinha culpa e pediu para sobreviver”, afirmou.
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