Atrapalha o partido: Republicanos barra candidatura de Cleitinho por causa de vídeo espírita

Atrapalha o partido: Republicanos barra candidatura de Cleitinho por causa de vídeo espírita

Partido ligado à Igreja Universal e à TV Record nega legenda a senador cujo estilo atrapalharia negociações pragmáticas com a Justiça Eleitoral

Na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, o partido Republicanos, que está na órbita de influência da Igreja Universal do Reino de Deus, barrou a candidatura do bizarro “senador Cleitinho” ao governo de Minas Gerais. O deputado paulista Marcos Pereira, presidente nacional da sigla, comunicou em nota oficial a decisão da cúpula partidária.

Eis a íntegra da nota:

“O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.

Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.

Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.

A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.

O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.

O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.

Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.

Republicanos de Minas Gerais

Executiva Estadual

Republicanos

Executiva Nacional”

As Razões Reais para o Partido barrar Cleitinho 

“Cleitinho” liderava as pesquisas de intenções de voto no estado. Tinha entre 36% e 39% da preferência dos mineiros, em diversos cenários de primeiro turno, de acordo com a Quaest divulgada na terça-feira passada. Minas tem 10,3 milhões de eleitores e é o segundo colégio eleitoral do país. Lá, estão concentrados mais de 10% dos eleitores brasileiros.

No mesmo dia em que foram divulgados os dados da Quaest com sua liderança incontstável, Cleitinho publicou em suas redes sociais e nos perfis de assessores um vídeo produzido por inteligência artificial. Nele, conversava com os espíritos do pai e do irmão, mortos recentemente. Os dois avatares o ungiam candidato a governador. O senador é uma personagem repugnante da política. Está há quatro anos no Senado como fruto da degradação das personagens que atuam na política sem espírito público, sem projeto, sem preparo… apenas com interesses pessoais e para seus microgrupelhos.

Cleitinho abusa dos insultos, dos impropérios e mesmo do baixo calão no trato com os poderes da República. O Republicanos, estando na órbita de negócios do bispo Edir Macedo, não gosta nada disso. E a Igreja Universal, como sabemos, detesta o credo espírita – de onde emanou a unção do pai e do irmão de Cleitinho a essa candidatura que não ocorrerá.

Mas, também havia outros interesses por trás do bloqueio à candidatura de Cleitinho em Minas. O principal deles atende pelo nome de Eduardo Cunha. O ex-presidente da Câmara, elegível sub-júdice, ou seja, dependendo da boa-vontade da Justiça Eleitoral, está filiado ao Republicanos e é candidato por Minas. A candidatura dele, do ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda (PSD), e de Anthony  Garotinho (também filiado ao Republicanos), no Rio de Janeiro, dependem de uma certa leniência – ou boa-vontade – judicial.

Essa boa-vontade dos juízes está sendo cabalada no Tribunal Superior Eleitoral com Kássio Nunes Marques. Já no Supremo Tribunal Federal, com o decano Gilmar Mendes. Ele pediu vistas da ação que questiona o diapasão largo das mudanças de prazos de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa introduzidas na legislação a partir de emenda polêmica votada no Congresso Nacional.

Desbocado, desqualificado, Cleitinho não ficaria no Republicanos depois de eleito. Disso, Edir Macedo, Marcos Pereira, a IURD, a Record e o partido tinham certeza. Além do que, agora, ele atrapalharia muito o entendimento com os tribunais. Em Minas, a Igreja Universal detém a concessão original da TV Record. É estado relevante para eles. Por que brincar de Cleitinho no pleito, ainda mais vendo-o drenar o fundo de campanha do partido, assistindo-o a fazer provocações à Justiça Eleitoral e sob a ameaça de inviabilizar os grandes acordos eleitorais?

O presidente da sigla, Marcos Pereira, um azougue político e advogado eleitoral de carreira, tirou o brinquedo das mãos do senador. Eleição em qualquer lugar é jogo de profissionais. A regra vale sobretudo para Minas, estado que já legou ao Brasil grandes e ardilosos políticos. Cleitinho é um bobalhão desbocado descendo pro play sem saber brincar e sem querer respeitar as regras do parquinho. Quebrou a cara.

Por Luís Costa Pinto

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