Ex-deputado Julian Lemos, que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste em 2018, afirma que fortuna do senador cresceu durante o governo do pai; defesa diz que não comentará
Os dados oficiais disponíveis mostram uma evolução patrimonial significativa, embora muito inferior aos números apontados por Lemos. Na eleição de 2018, Flávio Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 1,7 milhão em bens. Em 2022, durante seu mandato no Senado, adquiriu uma mansão em Brasília por R$ 5,97 milhões, praticamente à vista, operação que chamou atenção à época. Já Eduardo Bolsonaro declarou patrimônio de R$ 1,76 milhão nas eleições de 2022. Reportagem do Intercept Brasil informou posteriormente que ele reside no Texas, nos Estados Unidos, em uma casa avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões.
Julian Lemos foi uma das figuras mais importantes da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, especialmente na região Nordeste, sendo eleito deputado federal pela Paraíba na mesma eleição. O rompimento com a família Bolsonaro ocorreu ainda durante a transição para o governo, em meio a disputas internas envolvendo Carlos Bolsonaro e o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Desde então, Lemos tornou-se um crítico do grupo político que ajudou a eleger.
Na entrevista, o ex-deputado também fez previsões sobre o cenário eleitoral. Segundo ele, Flávio Bolsonaro poderá desistir da disputa presidencial para buscar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro, preservando o foro por prerrogativa de função. Lemos afirmou ainda acreditar que a família Bolsonaro dificilmente apoiará uma eventual candidatura presidencial de Michelle Bolsonaro.
A coluna do Metrópoles também destaca que Flávio Bolsonaro é alvo de investigações relacionadas às suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Paralelamente, Julian Lemos avaliou que a estratégia da família Bolsonaro seria apostar em um eventual retorno da direita ao Palácio do Planalto em 2030, sob a expectativa de desgaste de um possível segundo mandato consecutivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da repercussão das declarações, a própria coluna ressalta que Julian Lemos não apresentou provas de que o patrimônio de Flávio Bolsonaro tenha alcançado R$ 600 milhões — valor que representaria um crescimento de aproximadamente 353 vezes em relação aos bens declarados em 2018. Entretanto, Julian Lemos conviveu dentro da cozinha do bolsonarismo durante quatro anos.
A expectativa agora recai sobre a próxima declaração de bens do senador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme o calendário eleitoral, Flávio Bolsonaro deverá apresentar sua nova relação patrimonial no registro de candidatura, documento que permitirá comparar oficialmente a evolução de seus bens desde a última eleição que disputou.
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