Alô, Estados Unidos: “Não somos quintal de ninguém”

Alô, Estados Unidos: “Não somos quintal de ninguém”

A frase é do ministro da Defesa do governo de extrema-direita do Chile. A declaração foi feita após discurso do secretário de Guerra dos EUA

Numa resposta ao governo Trump, o ministro da Defesa do governo chileno de Kast, Fernando Barros, disse que cada país é “soberano” para definir seus próprios investimentos na área militar e de combate ao crime organizado. “No caso do Chile, não somos o quintal (‘pátio trasero’) de nenhum país. Somos um país muito orgulhoso da nossa realidade.”, disse ao ser perguntado sobre a ‘Doutrina Monroe’ durante entrevista à imprensa chilena. O Chile é governado desde março pelo presidente da extrema-direita José Antonio Kast que já disse, publicamente, após encontro com o presidente Lula, que “se o Brasil vai bem, o Chile vai bem também”.

‘Escudo das Américas’

As declarações do ministro do Chile foram feitas pouco depois do discurso do secretário de guerra do governo Trump, Pete Hegseth, convocando os países da América Latina ao incremento de gastos militares, a colaborar no combate ao crime organizado e ainda a que saiam do Tribunal Penal Internacional, como medidas que fazem parte do chamado ‘Escudo das Américas’. Barros afirmou ao canal 24 Horas, de Santiago, que o Chile não assinou o programa completo proposto pelo governo Trump e que o governo Kast está analisando a proposta apresentada por Washington.

O ‘Escudo das Américas’ foi lançado por Trump, junto com seus aliados conservadores da América Latina, em março deste ano. O grupo reúne 19 países, entre eles, Argentina, Paraguai, Bolívia e Equador. O governo Trump pretende que o Escudo combata o tráfico de drogas e realize ações conjuntas para “evitar a entrada de migrantes irregulares” nos Estados Unidos.

Soberania nacional

As respostas do ministro chileno podem estar indicando que há limites para os planos de ‘domínio explícito’ da região por parte dos Estados Unidos no século 21, a partir da chamada ‘Doutrina Monroe’ (‘América para os americanos’), que surgiu no século 19. Nas últimas décadas, em tempos democráticos, a China passou a ser o principal parceiro comercial da maioria dos países da América Latina. A atual geopolítica não é a mesma de tempos atrás. No entanto, na Era Trump, como sugeriu o ministro chileno é preciso estar atento e deixando claro que há limites.
“Primeiro é preciso que se respeite a soberania nacional, a legislação, a Constituição de cada país.”, disse Barros. Ele disse que a colaboração com os Estados Unidos pode ser positiva em determinadas áreas, como informação, inteligência e tecnologia. “Mas não precisamos mais do que isso.”, disse, segundo a imprensa chilena.

Brasil e México (‘Bramex’) e outros ‘combates’

Os governos do Brasil e do México não participaram da reunião de lançamento do ‘Escudo das Américas’. São os dois maiores países da América Latina, governados por Lula e por Claudia Sheinbaum, com ideologias e posturas diferentes das que reúnem os integrantes do ‘Escudo das Américas’. Lula e Sheinbaum conversaram, na quinta-feira, por videoconferência, sobre a soberania e a democracia na região, além de colaborações entre a Petrobras e a petroleira estatal mexicana Pemex. Sintonizados, os dois falaram ainda sobre a importância de outros combates – o da pobreza e da exclusão social.

Por Marcia Carmo

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