Modelo de Flávio Bolsonaro, Argentina de Milei bate recorde de suicídios

Modelo de Flávio Bolsonaro, Argentina de Milei bate recorde de suicídios

A Argentina registrou em 2025 o maior número de suicídios de sua série recente, em meio ao governo de Javier Milei, apontado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como referência política e econômica. Foram 5.209 mortes no ano, o equivalente a um suicídio a cada uma hora e 40 minutos, segundo dados do Sistema Nacional de Informação Criminal (SNIC).

O total representa um crescimento de 22% em relação a 2024. A taxa chegou a 11,8 suicídios por 100 mil habitantes, acima da média mundial de 9,2. Desde 2016, os registros apresentam tendência de alta, com exceção de uma redução em 2020, durante a pandemia.

Os suicídios já são a principal causa de morte violenta na Argentina. Das 11.111 mortes violentas registradas em 2025, 46,9% foram suicídios. Acidentes de trânsito responderam por 32,2%, homicídios dolosos por 15% e homicídios culposos por outras causas por 5,7%.

Parte do forte crescimento registrado em 2025, porém, decorre de uma mudança metodológica. A província de Buenos Aires passou a cruzar registros policiais com dados da Procuradoria-Geral e certidões de óbito. Com isso, o número contabilizado na região saltou de 1.267 para 1.977 casos, alta de 55,4%. O próprio Ministério da Segurança argentino advertiu que essa variação não deve ser interpretada integralmente como um aumento real e repentino dos suicídios, já que houve correção de uma subnotificação histórica.

O problema atinge principalmente os homens. Dados de 2024 mostram que eles representaram 80,6% das mortes por suicídio no país, com 3.425 casos, diante de 807 entre mulheres. A proporção permanece próxima de quatro homens para cada mulher desde 2017.

Os jovens também aparecem entre os grupos mais atingidos. Em 2024, 38% dos suicídios estavam concentrados entre pessoas de 20 a 34 anos. O avanço ocorre em um contexto de dificuldades econômicas enfrentadas por parte dessa população, como empregos precários, salários insuficientes, custo elevado de moradia e maior recurso ao endividamento para despesas cotidianas.

Os dados também mostram fortes diferenças regionais. Entre Ríos apresentou taxa de 20,8 suicídios por 100 mil habitantes, uma das mais altas do país. La Rioja, Catamarca e Santa Cruz também ficaram acima da média nacional. Em Córdoba, foram registrados 371 casos em 2025, ante 366 no ano anterior.

Outro ponto destacado pelos levantamentos é o uso de armas de fogo, presente em 11,7% dos suicídios. Especialistas e organismos internacionais consideram a restrição do acesso a meios letais uma das medidas de prevenção, enquanto o governo Milei adotou medidas de flexibilização das regras relacionadas à posse e ao porte de armas.

Os números colocam a saúde mental entre os desafios enfrentados pela Argentina. Embora fatores relacionados ao suicídio sejam múltiplos e não permitam atribuir o fenômeno diretamente a uma política econômica ou a um governo, o recorde ocorre durante a gestão de Milei, cuja agenda de redução do Estado e liberalização econômica tem sido elogiada por Flávio Bolsonaro como modelo para o Brasil.

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