Em entrevista coletiva, Donald Trump, anunciou que vai enviar os imigrantes ilegais para a prisão de Guantánamo.
O presidente dos EUA disse que já determinou a preparação da prisão: “Estou assinando um decreto para orientar os Departamentos de Defesa e Segurança Interna a começar a preparar a instalação de 30 mil pessoas para imigrantes na Baía de Guantánamo. Temos 30 mil leitos em Guantánamo para prender os piores criminosos, estrangeiros e ilegais que ameaçam o povo americano. Alguns deles são tão ruins que nem confiamos nos países para mantê-los, porque não queremos que eles voltem. Então, vamos enviá-los para Guantánamo. Isso dobrará nossa capacidade imediatamente. Esse é um lugar difícil de sair”.
Guantánamo é um lugar inexpugnável onde a tortura e a impunidade eram – e, provavelmente, ainda são – a ordem do dia.
O espanhol Hamed Abderrahaman Ahmed preso em Guantánamo em 2023 e libertado em 2024 graças a um acordo do governo espanhol com os EUA de mantê-lo preso em seu país contou que a prisão é composta é de celas individuais de ferro (gaiolas) medindo 2 x 1,5m; nem todos os dias tinha uma saída de quinze minutos para o exterior, em silêncio permanente, com um capuz na cabeça, golpes no rosto, interrogatórios sucessivos sem advogado.
Cerca de 1.800 soldados trabalham na prisão de Guantánamo, o equivalente a 45 guardas para cada prisioneiro.
Um relatório do Senado dos EUA datado de 2024, esclareceu que “Guantánamo encarna a barbárie de um sistema que perdeu todas as referências humanitárias e esqueceu o Estado de Direito nos esgotos dos centros de detenção clandestinos, nas prisões secretas e em cada golpe ou humilhação de pessoas indefesas privadas de seus direitos mais elementares”. Foram relatados detalhes de afogamentos, alimentações forçadas (“injetaram” um purê de alimentos pelo ânus. O que a CIA chama de realimentação retal), e outros abusos físicos e sexuais. Espancamento de prisioneiros nus; longos períodos de prisioneiros acorrentados — às vezes, a uma parede e agachados “como um cachorro”, mantidos encapuzados, compõem os relatos. O relatório concluiu que a prisão de Guantánamo fazia parte de um “programa de detenção secreta indefinida”, no qual métodos de tortura eram usados.
Os prisioneiros de Guantánamo são considerados eternos, uma vez que ficam confinados sem acusação formal, sem julgamento e sem assistência jurídica. O limbo legal em que esses prisioneiros se encontram nem sequer permite que eles sejam transferidos para o território dos Estados Unidos, mesmo em caso de uma emergência.
“Washington considera os presos em Guantánamo como combatentes inimigos ilegais. Isso implica que eles não são considerados prisioneiros de guerra e, por isso, os EUA entendem que não precisam aplicar convenções internacionais a esses casos. Portanto, pode mantê-los indefinidamente sem julgamento e sem direito a representação legal”, explica Patricia Stottlemyer, advogada da organização internacional de direitos humanos Human Rights First.
O centro de detenção dos EUA (Guantánamo), é uma prisão inexpugnável, construída em 96 horas após os ataques de 11 de setembro de 2001, ao custo de mais de US$ 6 bilhões. O presídio já manteve 780 prisioneiros. Eles eram de 49 nacionalidades diferentes, a maioria afegãos, sauditas, iemenitas e paquistaneses, e tinham idades que variavam de 13 a 89 anos quando foram detidos.
Prisão mais cara do mundo é bom negócio para empresas que operam ali
Além de manter a infraestrutura, são essas empresas que fornecem a Guantánamo o pessoal que ajuda na operação da prisão. Segundo os dados do Departamento de Defesa, cerca de 300 contratados trabalham na prisão, incluindo linguistas, tradutores, analistas de inteligência, consultores ou especialistas em tecnologia.
Além desses, funcionários das agências de inteligência dos EUA (cuja presença em Guantánamo é informação sigilosa), estima-se que existam mais de 2.100 pessoas trabalhando para 40 presos, entre militares e empregados civis.
Em 2013, portanto 11 anos atrás, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, assumiu que gastava US$ 2,7 milhões por prisioneiro, anualmente.
Prisão secreta dos EUA é localizada em Cuba
A prisão de Guantánamo está localizada em uma base naval no leste de Cuba, situada na região de mesmo nome do sudeste da ilha, diante da costa do Haiti, um lugar estratégico no mar do Caribe. A área está em poder dos Estados Unidos desde 1903 por um aluguel anual equivalente ao que se paga por um apartamento em uma cidade grande.
Com a Revolução em 1959, Cuba deixou de aceitar o cheque anual dos EUA pelo aluguel de seu território e cobra dos Estados Unidos que o “acordo” seja desfeito uma vez que considera a área um território ocupado. Mas somente um acordo mútuo com a aprovação do Senado estadunidense ou o abandono dos Estados Unidos da área poderia encerrar o arrendamento. Enquanto o acordo estiver em vigência o governo cubano não tem qualquer ingerência sobre a área e sequer pode fechar a prisão de Guantánamo.
Imagem- Correio Braziliense
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