Ataque iraniano a Israel deixa quase 200 feridos

Ataque iraniano a Israel deixa quase 200 feridos

Bombardeios com mísseis balísticos atingem Dimona e Arad, expõem falha na defesa aérea e ampliam escalada da guerra no Oriente Médio

 A ofensiva iraniana contra o sul de Israel deixou quase 200 feridos nas cidades de Dimona e Arad no sábado, em um dos episódios mais graves da atual escalada militar no Oriente Médio. Segundo equipes médicas israelenses, ao menos 11 pessoas ficaram em estado grave após a queda de pelo menos dois mísseis balísticos que não foram interceptados pelos sistemas de defesa aérea do país.

As informações são do Times of Israel, que detalhou o impacto dos ataques sobre áreas residenciais, a resposta das autoridades israelenses e o agravamento do conflito envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos.

Entre os feridos em estado grave estão um menino de 12 anos, atingido por estilhaços em Dimona, e uma menina de 5 anos, ferida no ataque posterior em Arad. De acordo com os relatos das autoridades de saúde, grande parte dos ferimentos foi causada por estilhaços ou ocorreu durante a tentativa de moradores de buscar abrigo. Além dos feridos físicos, dezenas de pessoas também precisaram de atendimento por crise aguda de ansiedade.

Os ataques ocorreram em meio a uma sequência de investidas iranianas contra a região de Dimona ao longo do dia. A mídia estatal iraniana afirmou que os disparos tinham como alvo a instalação israelense de pesquisa nuclear localizada nas proximidades da cidade, em resposta ao que Teerã classificou como um ataque dos Estados Unidos à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã, ocorrido horas antes. O Irã atribuiu essa ação a Washington e a Israel, embora o Exército israelense tenha negado qualquer envolvimento.

A área atingida é considerada estratégica. O Centro de Pesquisa Nuclear do Neguev Shimon Peres, localizado próximo a Dimona, é apontado como peça-chave no programa nuclear israelense, cuja existência oficial não é confirmada nem negada por Jerusalém.

Em Dimona, o Centro Médico Soroka, em Beersheba, informou ter atendido 175 pessoas feridas nos ataques a Arad e Dimona, sendo que 36 ainda permaneciam hospitalizadas na manhã de domingo. No caso específico da cidade, além do menino de 12 anos em estado grave, uma mulher na faixa dos 30 anos sofreu ferimentos moderados causados por estilhaços de vidro, enquanto outras 31 pessoas tiveram lesões leves. Quatorze vítimas receberam atendimento por ansiedade aguda.

O cenário descrito pelos socorristas foi de devastação. Um paramédico do Magen David Adom afirmou que “houve danos extensos e caos no local”. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o míssil balístico descendo em alta velocidade antes de atingir a cidade. Segundo avaliações militares israelenses, o artefato carregava uma ogiva convencional com centenas de quilos de explosivos.

A mãe do menino ferido relatou à emissora pública Kan que o filho não conseguiu chegar ao abrigo antibombas antes do impacto. Após o ataque, as Forças de Defesa de Israel mobilizaram equipes de busca e resgate diante dos danos significativos em residências e edifícios.

Horas depois, um segundo ataque atingiu Arad, provocando destruição semelhante. O serviço de emergência informou que 84 pessoas foram atendidas no local, incluindo 10 em estado grave, entre elas uma criança de 5 anos. Outras 19 estavam em condição moderada e 55 sofreram ferimentos leves. Quatro pessoas foram hospitalizadas por ansiedade aguda.

O impacto ocorreu entre prédios residenciais, ampliando o número de vítimas e os danos materiais. Equipes de resgate, ambulâncias e helicópteros foram mobilizados para retirar os feridos. O comissário da polícia israelense, Danny Levy, afirmou que não havia indícios de desaparecidos, mas destacou a continuidade das buscas. Segundo ele, “não sairemos daqui até confirmar que não há ninguém desaparecido e ninguém que tenhamos esquecido sob os escombros”.

As Forças de Defesa de Israel reconheceram falha na interceptação dos mísseis. Segundo os militares, os sistemas de defesa aérea foram acionados, mas não conseguiram neutralizar os projéteis. O porta-voz Effie Defrin afirmou que “os sistemas de defesa aérea operaram, mas não interceptaram o míssil” e acrescentou que o caso será investigado. Ele também declarou: “este não é um tipo especial ou desconhecido de munição”.

Ainda na noite de sábado, um novo ataque iraniano acionou sirenes em Eilat e regiões próximas. Não houve registro de feridos, e avaliações preliminares indicaram que o míssil teria sido interceptado.

O Ministério da Saúde israelense anunciou a transferência de parte dos feridos para hospitais na região central do país. O diretor-geral da pasta, Moshe Bar Siman-Tov, informou que o sistema de saúde entrou em regime total de emergência e ampliará o atendimento em saúde mental à população afetada.

Segundo ele, “esta é uma sequência complexa e difícil de eventos, e a evacuação regulada entre hospitais nos permite manter um alto nível de atendimento para cada vítima”.

O impacto da guerra também levou à suspensão das aulas presenciais em todo o país no domingo e na segunda-feira, conforme anunciou o ministro da Educação, Yoav Kisch.

Guerra se amplia e eleva tensão global

O novo ciclo de ataques evidencia a rápida deterioração do conflito entre Israel e Irã, com participação direta dos Estados Unidos. A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, avança para uma fase mais intensa, atingindo civis, infraestrutura estratégica e múltiplos países da região.

Os bombardeios em Dimona e Arad, somados aos ataques no Golfo, indicam que o confronto já ultrapassou o padrão de retaliações pontuais e caminha para um cenário de maior instabilidade internacional, com potencial de impacto global.

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