A raiva aumenta quando recordo que o incentivo ao uso da Ivermectina e Cloroquina promoveu lucros milionários à EMS, empresa de genéricos de propriedade de Emiliano Sanchez e seu filho Carlos Sanchez (conhecido como “rei dos genéricos”), apoiadores de Jair Bolsonaro que além de recomendar o uso, conseguiu na Índia, os insumos necessários à fabricação do Kit Covid pela empresa dos amigos.
Com isso, a EMS faturou R$ 142 milhões só com a venda desse kit recomendado pelo então presidente da República, como tratamento precoce. Ou seja, a recomendação dos medicamentos sem eficácia não foi um mero caso de ignorância. Foi intencional. Para garantir lucros à empresa do parceiro e quem sabe ganhar junto alguns milhõezinhos. Ah! Antes que eu esqueça, a EMS foi a empresa que vendeu viagra para o exército.
Todas essas informações constam nos registros da CPI da Covid que pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por crimes contra a saúde pública durante a pandemia.
E aí veio o esquema das vacinas.
Os brasileiros morriam como moscas enquanto o governo Jair Bolsonaro atrasava a compra das vacinas na tentativa de ganhar dinheiro com uma propina de U$ 1, por dose de vacina. O que são dois milhões de mortos frente a possibilidade de lucrar mais de 214 milhões de dólares, por baixo, ou 642 milhões de dólares no caso das três doses necessárias para imunizar cada brasileiro? Quem sabe mais ainda…no meio de tantos milhões a gente se perde…só sei que a AstraZeneca que inicialmente recebeu a proposta de U$ 3,5 por dose, sairia depois por U$ 15,5. E a garantia era da compra inicial de 400 milhões de doses.
- CoronaVac – O Ministério da Saúde chegou a anunciar a compra de 46 milhões de doses, mas voltou atrás após Bolsonaro mandar cancelar o negócio. O contrato foi assinado três meses depois. Em paralelo, veio à tona que Pazuello negociou a Coronavac com uma empresa intermediária por um valor quase o triplo do pago ao Butantan.
- Pfizer – Ofertas de vacina ficaram meses sem resposta do governo, que considerava o contrato abusivo.
- Covax Facility – O Brasil optou pela cota mínima de 10% de doses no consórcio internacional liderado pela Organização Mundial de Saúde.
- AstraZeneca – Atritos do governo brasileiro com a China causaram atraso no recebimento de insumos para a fabricação da vacina pela Fiocruz. A CPI da Covid investigou negociação paralela com o Ministério da Saúde em que teria havido um pedido de propina.
- Sputnik – O governo assinou contrato depois que governos estaduais fizeram compras separadas.
- Covaxin – A negociação até a assinatura do contrato foi mais rápida em comparação a outras vacinas. Servidor do Ministério da Saúde relata ter sofrido pressão para aprovar a importação e ter contado a Bolsonaro sobre as irregularidades.
- CanSino – Foi assinada uma intenção de compra prevendo US$ 17 por dose. Negócio foi intermediado por uma empresa investigada e não avançou.
Entre as negociações o tempo ia passando.
Quando o Brasil já contabilizava 5 mil mortos pela doença, Jair Bolsonaro ao ser questionado, respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, e continuou a criticar as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades sanitárias do mundo.
E o país passou a registrar mortes em filas de espera por leitos e racionamentos de oxigênio. Manaus, por exemplo, viveu cenas de filme de terror, o sistema de saúde colapsou porque o Brasil não tomou medidas para enfrentar a pandemia e não havia oxigênio. Foi preciso o presidente Nicolás Maduro da Venezuela enviar 136 mil metros cúbicos para aliviar o sistema hospitalar amazonense.
Enquanto isso, o à época presidente Jair Bolsonaro respondia com a grosseria que lhe é peculiar: “E daí? Não sou coveiro”, falando sobre as mortes por covid.
Relembre
No meio daqueles mais de dois milhões que morreram na pandemia tem rostos se sobrepondo às estatísticas e no meu caso, serão sempre lembrados pelos nomes: Nilson Müller; Silvestre Prado, Vovó Zefinha, Guino, Sérgio…
Motivos para não votar em candidato que se identifique com essa escória, não faltam.
Portanto, faça-nos um favor- liste e respeite os seus mortos.
Coluna de opinião
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