No ranking mundial da desigualdade social, a Colombia ocupa o terceiro lugar. O Brasil vem logo atrás, sendo o 4º país mais desigual do mundo.
Colombianos estão nas ruas há 40 dias em protesto contra a reforma tributária proposta pelo presidente Iván Duque.
A Colômbia é um dos países mais desiguais do mundo e tem um histórico de 60 anos de conflitos armados internos.
O movimento popular argumenta que a economia colombiana está “fincada no clientelismo político” que eximiu de impostos os grandes oligopólios da agricultura e da mineração, entre outros setores, enquanto prevê o aumento de impostos sobre a renda e sobre produtos básicos como forma de evitar que a dívida colombiana gere a perda de mais pontos nas avaliações de risco de agências internacionais.
Duque é um aliado férreo do setor privado de adepto da ortodoxia liberal de Paulo Guedes, Ministro da Economia do Brasil.
Acordo militar Colômbia/EUA
Os colombianos também protestam contra a violência policial que aumentou desde que o governo da Colômbia lançou uma parceria militar com o governo dos Estados Unidos supostamente para combater o narcotráfico e os grupos armados insurgentes no país.
A partir do acordo, que prevê um investimento de U$ 5 bilhões em três anos no setor militar, a brigada de Assistência de Força de Segurança (SFAB), foi deslocada do Oriente Médio para a Colômbia para coordenar os trabalhos de inteligência militar. A brigada coordenava os trabalhos militares em países como Afeganistão e Iraque.
O resultado foi o aumento da presença militar norte-americana na Colômbia, especialmente na fronteira com a Venezuela que está sendo vigiada pelos militares estrangeiros, inclusive com helicópteros com bandeiras norte-americanas que desembarcam soldados. A entrada das tropas estrangeiras é feita sem o aval do parlamento como prevê a constituição.
O plano Crece entre Colômbia e EUA foi assinado em agosto de 2020. No mês seguinte setembro de 2020, durante protestos, foi registrado o assassinato de 13 pessoas em Bogotá. Em 2021, já foram registrados 940 casos de violência policial. No dia 03 de maio, a polícia abriu fogo contra os manifestantes na cidade de Cali.
Intervenção militar
O governo colombiano decretou intervenção militar em 8 estados e 13 municípios que ficaram sob a tutela das forças militares.
Uma das reinvindicações é o fim do esquadrão encarregado de reprimir as manifestações. O Esquadrão Móvil Antidistúrbios (Esmad), foi criado em 1999, de maneira temporária,com o objetivo de combater guerrilhas marxistas, mas permanece em atuação até hoje como uma espécie de tropa de elite especializada em reprimir protestos.
A polícia colombiana faz parte do Ministério da Defesa. Em resposta às reinvindiações , o presidente colombiano criou uma Justiça militar “com independência financeira, administrativa e operacional” que não está sob o mando do Ministério da Defesa.Os policiais seguirão sendo julgados por militares.
De acordo com os organismos internacionais de Direitos Humanos, até o momento são 65 mortos, 47 vítimas de lesão ocular, 358 pessoas desaparecidas e 800 feridos durante os protestos populares.
(imagem R7)
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