Pesquisa aponta uma queda de 17,5% na avaliação do governo num período de menos de 6 meses. Leia o artigo de Irailton Lima

Pesquisa aponta uma queda de 17,5% na avaliação do governo num período de menos de 6 meses. Leia o artigo de Irailton Lima

Sobre pesquisa, eleição e o humor do povo

Irailton Lima*

A observação dos dados da recente pesquisa divulgada pela FIEAC e realizada pelo Instituto Perfil Pesquisas revela números interessantes. Ainda que esse instituto seja uma empresa desconhecida do ambiente de sondagens de opinião no Estado, bem diferente, por exemplo, do Data Control, hoje reconhecido como um instituto com credibilidade nos números que divulga, vale a pena analisar os dados, numa tentativa de extrair daí o que o cidadão acreano está pensando sobre avaliação de governo e intenção de voto para 2022, por exemplo.

E os números mostram que o governador Gladson Cameli, ainda que ostentando forte aprovação, deve começar a se preocupar com a forma como o povo está vendo seu governo. A soma de ótimo e bom nesse levantamento ficou em 50,1%, o que é um número expressivo, porém, bem abaixo do verificado no levantamento de junho, do Data Control, que marcou 67,6%. Ainda que seja temerário comparar resultados de pesquisas diferentes, os dados disponíveis são esses e é sobre eles que devemos nos debruçar. Esse resultado aponta uma queda de 17,5% na avaliação do governo num período de menos de 6 meses. A avaliação “regular” subiu de 18,9% para 34,7%, ou seja, praticamente dobrou, irrigada por quem antes considerava o governo ótimo ou bom. O ruim/péssimo da pesquisa do Instituto Perfil ficou em 15,3%.

O curioso, olhando lá para trás, é que os dados da avaliação do governo Gladson hoje, já com parte considerável da população considerando que a pandemia acabou, aproxima-se muito do verificado antes da covid-19. Pesquisa Data Control de outubro de 2019 mostra o governo com avaliação de ótimo/bom na casa dos 42%, com 36,9% de regular e 17,6% de ruim/péssimo. Naquele momento o que se verificava era a lua-de-mel da população com o novo governo acabando, depois da forte expectativa criada com a ascensão de uma nova equipe no comando do Estado, ao final de 20 anos de hegemonia do PT com sua Frente Popular.

Uma análise rápida dos números indica que, passada a pandemia, as atenções da população estão se voltando para as questões práticas do dia a dia, como emprego, saúde, educação e segurança pública. E se Gladson Cameli surfou a onda política da pandemia com desenvoltura de profissional, na condução do governo diante das tarefas práticas o resultado não parece ser o mesmo. Os dados da pesquisa de junho apontam, por exemplo, que aproximadamente 50% da população considera que o Estado está no caminho errado em relação à economia, contra apenas 28,6% que pensam o contrário. 

Diferente do que dizem alguns, a disputa de 2022 está em aberto

Sobre a disputa eleitoral do ano que vem, na comparação, os dados mostram que a parada não está resolvida, ao contrário do que muitas análises querem fazer crer. Peguemos o caso dos dois nomes mais lembrados pela população, ainda que o ex-governador Jorge Viana até agora não tenha declarado se será mesmo candidato ao governo. Em junho, no levantamento do Data Control, Gladson Cameli foi o preferido de 57% dos entrevistados, com Jorge Viana ficando com 19,2%. Na pesquisa divulgada hoje, do Perfil, Gladson aparece com 47% e Viana com 23,8%. De quebra, esses números revelam uma queda na diferença de 14,8% em seis meses. Número proporcional, inclusive, à queda na avaliação positiva do governo. 

Sobre o senador Sérgio Petecão o fato a registrar é a movimentação verificada dentro da margem de erro, de 9,1% em junho para 6,6% em dezembro, que mostra o eleitor não se animando com sua pretensão de governar o Acre

Voltando ao quadro anterior, é interessante analisar os dois principais nomes quando comparando os cenários estimulado e espontâneo. Esse último é quando nenhum nome é apresentado ao pesquisado, enquanto o estimulado é quando o entrevistador apresenta os nomes dos prováveis candidatos. Enquanto Gladson cresce apenas 4,5% (de 42,5 para 47), Jorge Viana sobe 10,4% (de 13,4 para 23,8), mostrando que se o ex-governador decidir disputar, tem jogo. Isso fica mais claro ainda se considerarmos os mais de 10% de indecisos e o grande número de candidatos apresentados neste último levantamento, bem superior ao provável quadro de candidatos na disputa de 2022.

O fato é que o eleitor já sabe que Gladson será candidato na próxima eleição. Aquele que vota nele já está anunciando sua preferência. É um cenário comum nas disputas de reeleição. E dificilmente um governante que busca novo mandato agrega votos ao longo da campanha. A tendência é perder. Outro dado fundamental para o governador é a avaliação de governo. O que pode determinar a vitória ou derrota é o humor da população tanto em relação aos resultados de governo quanto sobre suas condições de vida. Gladson não tem muito o que mostrar até aqui. Passado o sofrimento da pandemia, seu governo será olhado com muito mais atenção e crítica por quem está desempregado e sofrendo com o constante aumento de preços. Ou seja, tem que correr com ações de governo e melhorar a vida das pessoas.

*Sociólogo

Foto- YouTube

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