Empresários e associações brasileiras enviaram nesta segunda-feira (9) uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pedindo apoio a iniciativas contra o desmatamento. A carta ´é assinada por 23 companhias e organizações, representando mais de 300 entidades. O pagamento por serviços ambientais no valor de 9 bilhões de dólares seria do Amazon21 Act.
O Amazon21 Act é uma proposta de autoria do congressista Steny Hoyer, que é líder da maioria na Câmara dos Deputados dos EUA e foi apresentado na Cop-26
Entre os signatários está a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, entidade integrada por organizações da sociedade civil, organizações e multinacionais do agronegócio e empresas do sistema financeiro, como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), ADM do Brasil, Cargill, Amaggi, JBS, BRF, Marfrig, Nestlé, Danone, Suzano e Yara Brasil.
A ação lembra das discussões em torno de uma possível conversa do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o norte-americano, que resultou numa série de brincadeiras nas redes sociais.

O agronegócio é considerado o grande motor do desmatamento ilegal de florestas e degradação ambiental. De acordo dom o site ambientalista O Eco, entre 2013 e 2019, o equivalente a 32 milhões de hectares de florestas tropicais foram desmatadas ilegalmente para produção de itens como soja, carne bovina e óleo de palma. Segundo o relatório da Forest Trends, no Brasil, 25% das áreas de floresta transformadas pela agricultura foram para produtos de exportação. Leia o relatório Aqui
Chama a atenção ainda a assinatura da empresa transnacional suíça, Nestlé, que segundo o Green Peace, é uma das maiores poluidoras com plástico, do planeta, junto com a Francesa Danone, também signatária da carta. Veja Aqui
Em 2013, o presidente da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe, deu uma declaração polêmica ao defender a privatização da água. Ele disse que “o acesso à água não é um direito público”. Também não é um direito humano. Lembre Aqui
Acusada de ser uma geradora de escassez, a empresa esteve envolvida em outra polêmica, já no governo Michel Temer, envolvendo o Aquífero Guarani, quando circulou a informação de um acordo para a concessão de exploração do Aquífero. Vale ressaltar que embora seja uma das maiores reservas subterrâneas de água do Brasil e uma das maiores do mundo, o Aquífero Guarani não é o maior do mundo. Ele perde para o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga): ” com reservas estimadas em 162 mil quilômetros cúbicos. De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), isso seria o suficiente para abastecer a população atual do mundo, 7 bilhões de pessoas, por 250 anos, considerando um consumo individual médio de 150 litros de água por dia e uma expectativa de vida de 60 anos”.
Segundo o geólogo Francisco Matos, o Sistema Aquífero Grande Amazônia se estende desde o contraforte dos Andes, no Acre, até o Marajó. Veja Aqui
Foto-IG
Apoio de representantes de indígenas
Para Rodrigo Castro, diretor da Fundação Solidaridad, que integra o grupo estratégico da Coalizão Brasil, a ideia da carta, unindo empresas, representantes do agronegócio, com respaldo de associações que representam indígenas e extrativistas, foi mostrar que há interesse dos povos do Sul nos recursos.
Em abril, a Amazônia teve mais de mil metros quadrados de floresta sob alerta de desmatamento. É o pior número para o mês desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou o levantamento, em 2016. No ano passado, o Brasil respondeu por 40% da perda de floresta tropical no mundo.
A carta ressalta a urgência de ações firmes para proteger as florestas, considerando o risco de que a Amazônia entre em colapso devido ao desmatamento. E alertam que mais de 75% da floresta amazônica perderam a resiliência desde o início do século XXI, segundo estudo publicado pela revista “Nature Climate Change”.
Antes da COP26, um grupo de 107 empresas e dez entidades setoriais já havia enviado documento ao governo brasileiro pedindo que o país retomasse o protagonismo em defesa da agenda verde global e defendesse metas ambiciosas para a transição a uma economia de baixo carbono.
Em nota, o Ministério da Economia disse que apoia ações para monetização de ativos ambientais, como meio de preservação ambiental e geração de renda a proprietários rurais. E cita a Cédula de Produto Rural (CPR) Verde, lançada ano passado.
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