Equipe da Polícia Federal escolhida para realizar a segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a eleição de 2022n enviou um ofício enviado para superintendências com pedido de apoio para viagens do petista.
O texto, que critica a política armamentista do governo Jair Bolsonaro (PL), também fala em opositores radicalizados. O documento pede ainda apoio das superintendências para acompanhamento de Lula em viagens nos estados.
Segundo eles o cenário atual é preocupante e todos os esforços precisam ser feitos para proteger os presidenciáveis na campanha, especialmente Lula, por ser o que foi classificado com maior risco.
No documento enviado às superintendências, os delegados da equipe de Lula traçam um cenário alarmante e falam que o momento é inédito na democracia brasileira.
“O contexto político e social no qual se realizará a operação de segurança é composto por, entre outras adversidades, opositores radicalizados e acesso a armas de letalidade ampliada decorrente das mudanças legais realizadas em 2019”, diz trecho do ofício, numa referência às normas editadas por Bolsonaro que facilitaram o acesso a armamentos pela população. Os delegados também abordam no ofício as “ameaças de morte ao candidato e a representantes dos partidos, bem como a perpetração de atos de intimidação e violência, identificados antes do início da campanha, como o atentado ao ônibus da caravana ao ex-presidente Lula, alvejado em maio de 2018 na cidade de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul/PR”
O conteúdo foi mal recebido por setores técnicos e também por parte da cúpula da Polícia Federal por três motivos principais:
1) a quantidade de policiais solicitada foi considerada sem justificativa ou embasamento técnico;
2) o texto foi considerado com teor político;
3) o tom foi visto como inapropriado por trazer orientações de coordenadores para superintendentes, que estão acima na hierarquia do órgão.
Como resposta, o superintendente da corporação no DF, Victor dos Santos, redigiu um documento com 13 perguntas para o setor responsável pela proteção de candidatos, a CPP (Coordenação de Proteção à Pessoa), que fica na Direx (Diretoria-executiva).
“Cabe à equipe de segurança determinar as superintendências, de forma inaudita, o quantitativo a ser empregado e os meios a serem empregados?”, questionou Santos.
Como resposta, a Direx afirmou que, nos casos em que houver necessidade de apoio para as equipes de proteção aos candidatos, quem deve fazer isso é o chefe da CPP em contato direto com os superintendentes.
Foto- O Globo
Fonte- Reuters
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