Deputados rejeitam pedido de urgência para projeto que autoriza venda de remédios em supermercados

Polêmica: projeto autoriza venda de remédios em supermercados

Deputados rejeitam pedido de urgência para projeto que autoriza venda de remédios em supermercados
Deputados rejeitam pedido de urgência para projeto que autoriza venda de remédios em supermercados

Alice Portugal: remédio isento de prescrição, se usado de forma incorreta, gera intoxicação

Por insuficiência de quórum, a Câmara dos Deputados rejeitou o regime de urgência para o Projeto de Lei 1774/19, do deputado Glaustin da Fokus (PSC-GO), que autoriza os supermercados e estabelecimentos similares a venderem medicamentos isentos de prescrição.

Somente 231 deputados votaram a favor do novo regime de tramitação, quando o mínimo necessário era de 257 votos. Outros 166 deputados votaram contra a urgência.

No começo de agosto deste ano, o Plenário já havia rejeitado um pedido de urgência. Naquela ocasião, houve 225 votos favoráveis e 222 votos contrários. A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) disse que o tema voltou à pauta pela pressão comercial em detrimento da saúde da população. “Medicamento não é mercadoria, são drogas. E mesmo aqueles isentos de prescrição, se usados de forma incorreta, geram intoxicação”, disse.

Debate em Plenário
O tema dividiu opiniões nesta terça-feira (13). O deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA) disse que a proposta vai ampliar o acesso a medicamentos isentos de prescrição. “Com a venda de medicamentos em supermercados e estabelecimentos credenciados pelos órgãos reguladores, nós iremos abrir o mercado para competitividade, ou seja, nós iremos tornar os medicamentos mais acessíveis a todos que mais precisam”, disse.

Relator da proposta, o deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) afirmou que trabalhou para mediar os interesses das alas mais liberais e mais restritivas. “Discuti o texto, escutei as sugestões e assumo o compromisso de solucionar no relatório o que ainda houver de vácuo no projeto”, informou.

Ele afirmou que vai o texto também buscará frear o contrabando e definir normas de fiscalização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e outros temas.

Para o deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO), no entanto, a medida não é de interesse da população. “Sabemos que os maiores índices de suicídio e também de intoxicação medicamentosa estão relacionados à compra de medicamentos em supermercados. No Brasil, pode acontecer a mesma coisa”, disse.

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) afirmou que a proposta só interessa às grandes redes de supermercado, mas o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) ressaltou que o objetivo é baratear o preço final.

 

Fonte: Camara dos Deputados

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