1- Favas contadas
Óbvio que o governador Gladson Cameli (PP) não tomaria uma atitude em desfavor dos membros da Secretaria de Governo (Segov) por causa da rota de colisão com o Legislativo. Pouco depois da confusão envolvendo o Secretário Adjunto de Governo, Luís Calixto e os deputados Edvaldo Magalhães (PCdoB) e Michelle Melo (PDT), o governo emitiu uma nota conjunta em defesa das readequações do Instituto Socioeducativo. A nota é assinada pela Presidente do Tribunal de Justiça, Corregedor Geral de Justiça, Procurador Geral de Justiça do Ministério Público, Procurador da Infância e Juventude, Presidente do ISE, Vice-Presidente do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente e pela Consultora do Conselho Nacional de Justiça dentre outros, além de todo o Secretariado Estadual. A transferência do ISE para a Secretaria de Assistência Social é um dos pontos de conflito, embora não tenha sido o fator motivador do barraco registrado na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (11). E o governo sinalizou com esta nota que manteria sua posição em relação às questões em debate na Aleac.
2-Conflito
O conflito aconteceu porque na segunda-feira (10), os demitidos do ISE tiveram uma reunião com os Secretários Jonathan Donadoni, Alysson Bestene, Ricardo Brandão e Luís Calixto. De acordo com os presentes os 4 criticaram a líder do governo Michelle Melo (PDT). Áudios gravados teriam chegado às mãos da líder. Calixto então, se dirigiu à Aleac para tentar apagar a fogueira. Não teve sucesso. O fogo se espalhou e formou-se um incêndio como há muito não se via nos corredores do Legislativo, com direito a acusações de bandido e mau caráter que só não resultou em agressão física entre o deputado Edvaldo Magalhães e o ex-deputado Luís Calixto porque os seguranças entraram em cena. Cada um apenas cumpriu seu papel. Calixto fez o que o governo queria, tirou a responsabilidade de cima do governo e a jogou para a Aleac. Edvaldo cumpriu seu papel de líder da oposição e fez jus ao seu currículo de combatente das injustiças.
3- Motivo
Para tentar evitar que cerca de 300 provisórios do ISE ficassem sem emprego, a líder do governo, Michelle Melo apresentou um anteprojeto para renovar os contratos. O governo que já havia tomado a decisão de demitir ficou numa saia justa. E esse teria sido o motivo das críticas à líder. Os demais deputados que compõem a base de sustentação do governo também teriam sido menosprezados com declarações que a Aleac só faz o que o governo manda, não decidem nada e “jogam para plateia”. Calixto afirma que nunca foi feita declaração pejorativa a nenhum deputado muito menos à líder do governo mas pela reação dos parlamentares é possível que Michelle Melo tenha mostrado os tais áudios…se é que existem. O ex-líder de Gladson, deputado Pedro Longo (PDT) que presidia a sessão convocou todos os parlamentares para um ato de repúdio. Da deputada Michelle Melo, muitos esperavam que entregasse a liderança do governo e aproveitasse para sair por cima junto ao eleitorado. Perdeu a oportunidade. E o triturador político pode estar à mão
4-Expectativa
Michelle Melo teve uma conversa reservada com Alysson Bestene logo depois da confusão. O Secretário de Governo correu para a Aleac, ao ser informado do barraco. Chegou logo depois da briga entre Edvaldo Magalhães e Luís Calixto. Mas correu para o banheiro onde ficou por 15 minutos. Possivelmente recebendo instruções sobre como agir. Ao finalizar a conversa com Alysson, Michelle Melo saiu dizendo que só deixaria a liderança do governo se a tirassem. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Já dizia Cazuza.
5-…frustrada
A revolta da base do governo foi debelada em torno de uma mesa de jantar. Jantar com o governador. Toda a base compareceu. Foram recebidos para um jantar com o chefe…do Executivo, bem entendido. No menu, pratos com nomes exóticos como Meu Governador, Minha Vida. Se faltaram os pedidos de autógrafos, sobraram fotos. Todos com um sorriso no rosto. E claro, com a presença do Secretário Adjunto de Governo, Luís Calixto. Engoliram sapo e arrotaram caviar.
6-Bode expiatório
Todos os dedos apontam agora para o deputado Roberto Duarte (Republicanos) taxando-o de responsável por toda a confusão. Duarte apresentou o projeto para incorporar os provisórios do ISE, transformando-os em efetivos sem concurso público. Convenientemente esquecem que o projeto foi aprovado na Assembleia Legislativa e sancionado pelo governador. Portanto se culpa há, tem que ser diluída. Dividida entre todos os atores dessa ópera bufa. Depois que deu errado e os provisórios acabaram demitidos começou a busca pelo culpado. Culpados são todos os que aprovaram o projeto de Duarte e Gladson que o sancionou. Portanto o único inocente é o deputado Pedro Longo que alertou o plenário que a PEC de Roberto era inconstitucional.
7-Bombeiro
Gladson tem mais fogueiras para apagar. De acordo com informações, o coronel Messias anda colocando lenha na fogueira e deixando muita gente insatisfeita. Diego Lins, o “Beijoqueiro”, por exemplo, teria sido barrado pelo coronel na coletiva do governador realizada na manhã desta terça-feira (11). Diego grava vídeos nos quais divulga o governador nas redes sociais. Na coletiva Gladson anunciou a antecipação da 1ª parcela do 13º. Outra fogueira que começa a crescer pode sapecar o Comandante da PM. Tem gente em dois poderes descontentes com ele. Requisitaram PMs para fazer segurança e não foram atendidos.
Bom dia, deputado Edvaldo Magalhães. Se é verdade que Vossa Excelência rege a orquestra da Aleac, não sei. Mas que escolhe a música e o tom parece inegável. É isso que se chama de sagacidade política né?
Esta é uma coluna de opinião e reflexão
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