Empresa Liga Engenharia tem entre sócios pessoas próximas a Fernando Bezerra Coelho, líder de Jair Bolsonaro no Senado
A Liga Engenharia recebeu cerca de R$ 74 milhões de emendas do relator, conhecidas como orçamento secreto, entre 2019 e 2024. Os dados são do Portal da Transparência.
Os valores foram direcionados por dois órgãos do governo federal: o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Ambos estão na mira da PF por causa de emendas.
Ele foi líder do governo de Jair Bolsonaro (PL), no Senado de 2019 a dezembro de 2021.
Em 2021, auge da popularização do orçamento secreto, também foi o ano em que a Liga mais recebeu dinheiro desse tipo de emenda, somando um total de R$ 33 milhões.
A maior parte do montante destinado à Liga por meio do orçamento secreto veio da Codevasf, que pagou R$ 52,8 milhões à empresa. Outros R$ 21,9 milhões vieram da autarquia destinada a obras contra as secas.
Quando todas as modalidades de emendas são levadas em consideração (individuais e de bancada), o valor total recebido via emendas pela empresa baiana sobe para quase R$ 100 milhões. Do total, R$ 53,9 milhões vieram da Codevasf e R$ 45,4 milhões, do DNOCS.
De acordo com os dados da União, DNOCS e Codevasf foram os únicos dois órgãos que destinaram dinheiro via emendas à Liga.
A Liga é uma das que mais receberam pagamento custeados com dinheiro de emendas da filial baiana do DNOCS.
A empresa recebeu R$ 19,5 milhões entre 2020 e 2024 por meio do orçamento secreto.
O DNOCS da Bahia está no centro da Operação Overclean, que chegou ao STF depois de citações ao deputado Elmar Nascimento (União-BA).
Emendas de relator
Criada em 2019, a emenda de relator foi utilizada por congressistas até 2022, quando o STF reconheceu sua inconstitucionalidade pela falta de transparência.
Ao longo dos anos em que o orçamento secreto vigorou no Brasil, DNOCS e Codevasf viram o dinheiro de emenda aumentar significativamente. Algumas das emendas indicadas naquela época viraram alvo de investigação pela PF, inclusive por supostos desvios na contratação de obras.
Mesmo com o fim do dispositivo, as emendas seguem até hoje no centro dos embates entre Congresso e Supremo. Em agosto de 2024, com orçamento destinado ao instrumento cada vez maior, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão do pagamento das verbas até que os repasses fossem rastreáveis e transparentes. As informações são do Metrópoles.
Imagem- Waldiney Passos
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