Acompanhamos entre estarrecidos e divertidos a reação da Extrema Direita contra o uso do boné com a frase “O Brasil é dos brasileiros”, por ministros e parlamentares na eleição da Câmara e do Senado.
Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente extremista de direita, que já usou um boné com a palavra “Trump”, publicou em sua conta no X (antigo Twitter), onde marcou Donald Trump: “Ministros de Lula usam boné anti-Trump no Congresso brasileiro. A ideia foi validada pelo secretário de comunicação de Lula. Lula já declarou seu apoio a Kamala (Sic); sugeriu que Donald Trump seria a nova face do nazi-fascismo; lidera esforços pelo fim do padrão dólar; é o grande chefe de Estado mundial que mais vocaliza pró Hamas; tomou partido da Rússia na guerra com a Ucrânia; critica Trump sobre deportados, ignorando que Biden deportou durante todo seu governo; sua esposa xingou Elon Musk, figura central do governo Trump… e mais 4 linhas de blá, blá, blá de retórica vassala.
Vamos por partes.
A reação contra a frase “O Brasil é dos brasileiros”, na visão dos “patriotas”, significaria que a frase correta seria “O Brasil é dos Estados Unidos” ou “O Brasil é de Trump”? Ou do Elon Musk…ou de ambos. Pelo jeito só não pode ser dos brasileiros.
Fecha a porteira e bota os brasileiros para trabalhar para o Trump.
O deputado que se desespera com a frase, é o mesmo que lidera comitivas aos Estados Unidos para difamar o Brasil, pede intervenção e sanções econômicas contra o Brasil. E nem assim teve permissão para assistir presencialmente a posse de seu ídolo. Foi barrado. B.A.R.R.A.D.O.
Recorramos ao dicionário: Patriota, pessoa que ama sua pátria, seu país de nascimento, que se esforça para lhe ser útil, agindo em seu favor ou em sua defesa. Patriotismo é o amor e compromisso com a pátria. Pois.
A prática do extremista de direita, portanto, desmente o discurso.
Olhos atentos questionam se alguém que defende o governo genocida de Benjamin Nethanyahu pode reclamar do apoio manifestado por Lula à Kamala Harris? Olhos bem atentos concluem no contexto de mais de 700 mil mortes por covid-19 por atraso na aquisição de vacinas enquanto negociava propina, pode.
Parece que a tal liberdade de expressão só cobre a extrema direita. Lula não pode nem criticar as deportações de brasileiros.
Eduardo fala que o Biden deportou brasileiros durante seu governo mas omite que os brasileiros vinham algemados porque seu pai, que governava o Brasil à época fez um acordo com Biden permitindo as algemas.
E finalmente, que a 1ª Dama Janja xingou Elon Musk. Infringiu a regra básica do extremismo de direita. Atacar bilionário não pode. Só pode atacar pobre. Em tempo, eu achei desnecessário o que a Janja fez e pelo jeito o Lula também.
Tenho críticas ao governo Lula mas me calo quando lembro que na época de Jair Bolsonaro, o Brasil era alijado de tudo. Em viagem oficial Jair comia na calçada nos EUA, e o povo brasileiro estava na fila do osso.
Tem muito mais para desconstruir dessa demagogia extremista, mas cansei. Deu gastura. Remexer lixo deixa mau cheiro nas mãos.
O lado positivo desta polêmica é que agora perderam o discurso. Ou é vira-latas ou é patriota. Não se serve a dois senhores.
Antes que esqueça, Jair Bolsonaro, no exercício da presidência do Brasil bateu continência para a bandeira dos EUA e disse “Ilove You, Trump”. E Tarcísio de Freitas (Republicanos), também usou o boné de Trump e chegou a ser premiado nos Estados Unidos pela privatização da Sabesp, que aumentou a conta de água dos paulistas na proporção de R$ 90 para R$ 400. Justo. Com a privatização, a população de São Paulo passou a pagar para grandes gestoras de fundos como a BlackRock, que fazem parte da composição acionária da Equatorial, que adquiriu a Sabesp.
Aviso aos navegantes, MAGA para os brasileiros é apenas a bruxa do Tio Patinhas, estamos entendidos?
Vida longa ao boné que mostrou quem defende os EUA em vez do Brasil.
