Valente só na rede social: ameaçado de cassação, Gayer procura Alcolumbre, que o ignora

Valente só na rede social: ameaçado de cassação, Gayer procura Alcolumbre, que o ignora

O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que vai pedir a cassação do deputado federal bolsonarista  Gustavo Gayer (PL-GO) por quebra de decoro parlamentar. Davi Alcolumbre afirmou que pretende ingressar com uma representação contra o deputado do PL no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O presidente do Congresso também informou que acionará Gayer na Justiça comum, nas esferas cível e criminal.

Gayer fez postagens no X, antigo Twitter, na quinta-feira (13/3), insinuando que Gleisi Hoffmann, seu namorado, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), e Davi Alcolumbre formariam um “trisal”. “Me veio a imagem da Gleisi, Lindbergh e do Davi Alcolumbre fazendo um trisal. Que pesadelo”, escreveu Gayer na rede social. Na postagem Gayer marcou Alcolumbre, Gleisi e Lindbergh.

A postagem foi feita após Lula falar durante um evento público que havia nomeado uma “mulher bonita” para tentar melhorar a relação com o Congresso, comentário que gerou críticas inclusive de membros radicais do PT que não gostaram do presidente da República ter adjetivado Gleisi de bonita em vez de ter ressaltado a competência dela. Crítica exagerada.

Em outra postagem também em resposta ao comentário de Lula sobre Gleisi ser bonita, Gayer questionou se o Deputado Lindbergh Farias ‘iria aceitar que seu chefe ofereceu sua esposa’ para os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), comparando a fala de Lula a de um “cafetão que oferece uma ‘acompanhante’”.

O PT através do presidente em exercício do partido, Humberto Costa, também entrou com uma representação pedindo abertura de processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, pedindo a cassação do mandato de Gustavo Gayer, por quebra de decoro parlamentar.

Tremendo de medo

Diante da repercussão negativa, Gayer apagou a publicação e tentou minimizar a polêmica. Em nova postagem, tentou justificar que seu objetivo era “apenas expor a hipocrisia da esquerda sobre a defesa das mulheres” e que em momento algum quis diminuir Alcolumbre. O deputado bolsonarista goiano não estendeu nenhuma desculpa à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Com medo das consequências por ter envolvido o presidente do Senado, o valentão das redes sociais procurou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Gayer enviou um áudio pelo WhatsApp a Alcolumbre alegando que sua publicação havia sido um “mal-entendido” e se colocou à disposição para esclarecimentos. O presidente do Senado nem respondeu. Simplesmente ignorou a tentativa de contato. Gustavo Gayer acionou senadores do PL pedindo para intercederem por ele junto a Alcolumbre.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou Gayer para uma conversa na terça-feira (18).

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante indicou que o partido não vai tomar nenhuma providência contra o deputado e que, aqueles que tiverem “se sentido ofendidos”, que busquem o Conselho de Ética da Câmara e a Justiça.

Quem é Gustavo Gayer

Gustavo Gayer é um parlamentar goiano acusado de matar duas pessoas em um acidente no qual ele estaria dirigindo sob efeito de álcool.

Em outubro de 2024, o parlamentar goiano foi alvo de uma ação da Polícia Federal contra suspeitos de desviar dinheiro público de cota parlamentar e falsificar documentos para criar uma organização da sociedade civil. Ele era suspeito de usar verba pública para pagar o aluguel de uma escola de idiomas.

Antes, nas eleições de 2022, ele teria comparado os habitantes do nordeste com “galinhas que recebem migalhas do Estado”. A declaração ocorreu durante um seminário de discussão sobre o Sistema Nacional de Educação (SNE).

Em 2023, a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou notícia crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gustavo Gayer por falas racistas em um podcast. Na ocasião, o  deputado e o apresentador, Rodrigo Barbosa Arantes, associaram africanos a baixo quociente de inteligência (QI). Além disso, afirmaram que os africanos não teriam “capacidade cognitiva” para viver em uma democracia.

Gayer também virou réu no STF por ofensas contra os senadores Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e Jorge Kajuru (PSB-GO). Em fevereiro de 2023, após a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na presidência do Senado, Gayer chamou os senadores goianos de “vagabundos que viraram as costas para o povo em troca de comissão”. Kajuru também foi chamado de “doido varrido” e “caricatura”. A ação segue em julgamento, com relatoria da ministra Cármen Lúcia.

Pelo histórico do parlamentar dá para ver que a Câmara dos Deputados não é lugar para ele.

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