O ex-presidente da República e ex-senador Fernando Collor de Mello foi preso na madrugada desta sexta-feira (25), quando se preparava para viajar para Brasília, onde iria se entregar. A prisão foi determinada na noite de ontem pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a oito anos e dez meses, em regime inicial fechado, por participação em esquema de corrupção na BR Distribuidora.
De acordo com os advogados de defesa de Collor ouvidos pelo O Globo, Collor foi detido às 4 horas da manhã de hoje, “quando estava se deslocando para Brasília para cumprimento espontâneo da decisão do Ministro Alexandre de Moraes”.
“O ex-presidente Fernando Collor de Mello encontra-se custodiado, no momento, na Superintendência da Polícia Federal na capital alagoana. São estas as informações que temos até o momento”, informou o advogado Marcelo Bessa.
A prisão ainda será avaliada em sessão virtual do plenário do STF, agendada pelo presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, para esta sexta-feira (25), entre 11h e 23h59.
A condenação de Fernando Collor tem como base provas reunidas durante a Operação Lava Jato, incluindo delações premiadas, e-mails, documentos internos, planilhas e registros de entrada em empresas.
O principal ponto da denúncia é a influência política de Collor na BR Distribuidora, exercida por meio da indicação de diretores da empresa, segundo depoimentos de delatores como Nestor Cerveró (ex-Petrobras), Ricardo Pessoa (UTC Engenharia) e o doleiro Alberto Youssef.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Collor favoreceu a empresa UTC em licitações da BR Distribuidora, possibilitando que a empreiteira vencesse quatro contratos em apenas seis meses. Em troca, teria recebido R$ 20 milhões em propina, repassados por operadores ligados ao ex-presidente.
Um relatório produzido pela própria BR Distribuidora revelou que as propostas da UTC apresentavam padrões estatisticamente improváveis, demonstrando que a empresa teve acesso antecipado às planilhas de preços. Além disso, e-mails e documentos internos mostram que empresas concorrentes foram excluídas do processo licitatório, o que reforça as denúncias.
Há também registros de entrada de Ricardo Pessoa na sede da BR Distribuidora em datas estratégicas das negociações, além de uma planilha com cronograma de pagamentos que coincide com os avanços nas obras contratadas. A defesa de Collor contestou a veracidade desses documentos, mas o relator do caso, ministro Edson Fachin, considerou que há diversos elementos que comprovam os relatos.
Durante as investigações, a Polícia Federal apreendeu comprovantes de depósitos e transferências bancárias feitas para Collor e empresas ligadas a ele. Dois ex-funcionários de Youssef — Rafael Angulo Lopez e Adarico Negromonte Filho — também foram identificados em registros de entrada na UTC, em datas que coincidem com os pagamentos.
Caçador de Marajás
Fernando Collor de Mello foi o 32º e o mais jovem presidente do Brasil. Foi eleito em 1989 derrotando Lula (PT), com amplo e descarado apoio da Rede Globo e da imprensa em geral que temia o “comunismo”.
O 1º presidente eleito após a ditadura militar sensibilizou o eleitorado com uma campanha contra a corrupção voltada para o combate a funcionários públicos que ganhavam altos salários com o slogan de Caçador de Marajás.
Em vez disso, fez um governo marcado por corrupção e ficou lembrado por ter sequestrado a poupança dos brasileiros levando várias pessoas ao suicídio. Durante a campanha eleitoral ele afirmava que Lula, se eleito, sequestraria a poupança da população. Seu governo foi marcado também pelo início de um programa nacional de desestatização. Começou a vender as empresas estatais, aprofundou a recessão econômica e extinguiu mais de 920 mil postos de trabalho.
Em apenas dois anos de mandato, depois de jogar o país no caos, renunciou em 1992 porque respondia a um processo de impeachment. Voltou à cena política em 2007 quando foi eleito senador por Alagoas e chegou a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Permaneceu senador até 20119.
Ligação com o Acre
O pai de Fernando Collor, Arnon de Mello, matou o senador acreano José Kairala durante uma discussão no plenário do Senado. O tiro endereçado a outro senador com o qual Arnon discutia, atingiu o senador do Acre. O crime aconteceu em 1963.
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