Quando a santidade não se importa com a justiça, ela se transforma numa religiosidade desavergonhada.
A Parábola do Bom Samaritano expõe o quanto a prática religiosa desumanizou tanto o sacerdote quanto o levita. Jesus denuncia que desavergonhadamente deixaram o ferido no chão da rua e correram para as suas obrigações religiosas no templo com a forte crença que o rito não pode esperar e perde sua magia quando fora de hora.
Podemos pular o humano caído como se fosse um obstáculo para a nossa carreira. Abandonamos, nos esquivamos do estranho com o interesse de cumprir obrigações no culto.
A pressa para mirar no espiritual não nos permite notar as coisas miúdas do cotidiano.
Ficar indiferente às dores do mundo é flertar com a imoralidade.
Sensores da moral sexual e permissivos da moral social/econômica, me parecem bem familiares.
Na semana do Conclave da Igreja Católica, convém lembrar a fala poética e profética do inesquecível Bispo do Araguaia, Pedro Casaldáliga: “No ventre de Maria Deus se fez homem. Na oficina de José, Deus se fez classe.”.
O Evangelho de Jesus nos torna mais sensíveis às dores do mundo. Caso contrário, os observadores chegariam à conclusão de que moralmente o cristianismo é sem vergonha, desavergonhado, só quando a questão é a miséria a céu aberto. Trecho do artigo de Valdemar Figueiredo (Dema).
Imagem- Gaúcha ZH
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