Em pleno 2025, quando as escolas no mundo ensinam robótica e Inteligência Artificial, uma escola no Acre funciona há dois anos num antigo curral (abrigo de gado), sem paredes, sem piso, sem limpeza, sem água e sem transporte, o que obriga os estudantes a enfrentar a lama e o sol para chegar até o local.
A professora dá aula para turmas de diferentes séries. Sozinha. Nos dois turnos. Prepara a merenda. A limpeza da “escola” também é feita por ela com a ajuda dos alunos. A descarga do banheiro é feita jogando água com um balde.
Chocante não?
Mas pior que isso é que ninguém viu. Foi preciso uma reportagem do Fantástico para nos mostrar a realidade.
O município tem 9 vereadores: dois do PP; dois do Republicanos; dois do PDT; um do União Brasil; um do PL e um do PCdoB.
Ninguém denunciou?
Não viram? Não fiscalizaram? Se omitiram ou não se importam?
A Constituição Federal em seu art. 7º, IV, diz que Educação é um direito de todos e dever do estado e da família. O secretário estadual de Educação, Aberson Carvalho diz que educação rural é cara. Mas olhos atentos mostram que o dinheiro para financiá-la, vem da arrecadação de tributos, ou seja, a sociedade paga impostos e contribuições sociais que são utilizadas para que os governos ofereçam serviços públicos. A educação básica de qualidade é um dos principais serviços que os governos devem oferecer à sociedade. Por isso, são previstos mecanismos de financiamento público da educação, repassados através do Fundeb. O investimento mínimo obrigatório é de 18% para a União e 25% para Estados e Municípios. Só para esclarecer.
A escola improvisada funciona no Bujari, distante 25 km da capital Rio Branco. Meia hora de distância. Bem ali.
Há dois anos. Dois anos.
Mas ninguém viu.
Nem os deputados estaduais, nem os deputados federais e senadores que fazem agendas nos municípios, nem a imprensa, nem os sindicatos da Educação, nem a Cut e nem o Ministério Público.
Mas todos ficamos indignados após o Fantástico esfregar o problema na nossa cara.
Olhos atentos perguntam se dá para tachar isso de hipocrisia. A resposta é sua.
Independente de como chamar, precisamos assumir a culpa. Sim, porque a culpa disso é de todos nós que não vimos, não nos importamos, ou não cobramos. Às vezes a saída é pelo barulho. E nos calamos.
Olhos atentos apontam que a culpa vai além. Começa no momento em que votamos em representantes que não tem compromisso com a melhoria de vida da população. Por ignorância ou por ideologia. A ideologia não é racional e nesse caso é mais inteligente votar com o estômago. Mas isso é assunto para uma próxima coluna.
Por ora, assumamos a culpa.
Façamos um mea culpa sincero.
Todos nós.
Bom dia omissos e calados, entre os quais me incluo.
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